Mês: setembro 2015

Chorar, Por que?

Há um comercial brasileiro, que eu via com frequência na tv, em que o slogan é: “o que faz você feliz?” Eu sempre parei para pensar nessa hora. Não sei se pensamos nisso com a verdade que deve ser ou se simplesmente passa batido. Ou talvez pensemos apenas quando estamos em situações agradáveis e, aí, é muito fácil ser feliz. Mas de fato, o que nos faz feliz?

Bom, saltando desse ponto, resolvi ir além: Feliz eu sou, mas o que me deixa triste? O que me faz chorar? O que faz você chorar? A morte; o término de um relacionamento; quando seu time perde o campeonato; quando sente-se sozinho ou perde o emprego?

Choro de alegria também vale ou simplesmente para aliviar a alma. Mas, até onde choramos apenas por nós, pelas “mesmices”? Já chorou a dor de um próximo?

Um dos problemas que a Europa tem lidado, ultimamente, é com a imigração desenfreada. É o que eles mais tem discutido nos jornais e programas. Algo que, à distância, talvez não faça diferença mas, quando está perto, começa a se fazer bem presente.

E talvez mesmo, por isso, que eu esteja tão tocada com a situação a ponto de chorar, de me entristecer. Não sei, ainda, até onde isso interfere em minha vida, em meus dias. Mas já não consigo mais ignorar. Medo dessa nova realidade do mundo.

Coloco-me em uma situação parecida. Ainda que eu possua o direito à cidadania italiana, compartilhamos do mesmo sonho: uma nova oportunidade de vida! Como julgá-los? Como dar as costas?

Assim como o Brasil, que passa por uma crise que parece não ter fim, com um Governo que parece não querer ajudar em nada e um povo que grita por socorro. Nossa economia afundando, nossos hospitais fechando, a violência aumentando. Uma amiga me contou que um colega seu foi sequestrado e agredido, por ser homossexual. A intolerância humana. O ódio. A falta de amor e de respeito. A que preço?

Todo ano, de Setembro à Março, mais de 20 mil golfinhos são mortos e capturados nos mares de Taiji, no Japão. Tudo para financiar uma indústria de shows em parques marinhos. Ganância.

Essa semana eu chorei a perda da cachorrinha que minha tia tinha e eu era bem apegada. Chorei sozinha. Lembrei dos meus bichos e chorei mais ainda. Há quase 10 anos chorei sozinha, também, a perda da minha avó. Eu fazia intercâmbio na Austrália. Chorei as lágrimas de uma amiga, que chorava no Brasil uma saudades. Chorei a ausência do meu avô em seu aniversário.

Há muito que nos faz sofrer e chorar e, muitas vezes, sozinhos. Ou por estarmos longe ou porque preferimos. Mas, o quanto pensamos nisso e valorizamos esse sentimento? Como forma de aprendizado e crescimento. O quanto nós olhamos para o lado e reparamos nas lágrimas do próximo, nas dores do desconhecido e paramos para ajudar?

Estar feliz é fácil. A mágica está em saber SER feliz dentro das nossas tristezas e frustrações. Dar a volta por cima. Valorizar o que temos ao redor e estender uma mão. Fazer valer um sorriso e, principalmente, uma lágrima.

 

20 Dias…Ou um pouco mais!

“Agora é esperar a resposta do Consulado de SP que normalmente leva de 15 a 20 dias.”

Assim me falou o oficial da Comune da cidade onde dei entrada no meu processo de Cidadania Italiana. Hoje completam os 20 dias. Hoje, meu estômago está contorcido de nervoso, o coração acelerado de ansiedade e olhos que não conseguem parar de lacrimejar. 20 dias e, ainda, nada. Gostaria que algumas coisas fossem exatas, embora eu adore lidar com o inesperado.

Eu cheguei em Firenze no dia 23 de Agosto. Iniciei o processo na cidadezinha onde estou morando, Greve in Chianti, no dia 27 do mesmo mês, registrando a residência. Uma semana depois o vigile passou em casa e, no dia 09 de Setembro, levei toda a documentação na Comune e o processo estava aberto. Mas falta a parte do Brasil. 20 dias. Se eu pensar que, em meio a esses dias, tivemos finais de semana então, não são 20 dias úteis completos, ainda. Estou dentro do prazo. Racionalmente falando, está tudo sob controle. Já emocionalmente…

Tente convencer essa garota que vos escreve que, tudo bem esperar um pouco mais, quando ela tem mil e um planos em mente e dinheiro contado. Sim, precisamos ser econômicos e fazer o milagre dos pães com cada centavo. E sem documentação, sem emprego.

Quando esse sonho da cidadania renasceu em mim, todos falavam o quão caro sairia o processo. Não a vida aqui, o processo apenas, incluindo um assessor italiano. “No mínimo uns 20 mil reais ou mais, saiba disso.” Escutei de um assessor brasileiro. Uau! Na hora em que se sonha e tem vontade de realizar, você tira dinheiro da onde não tem. Vende o carro, zera a poupança, trabalha 48h virado, se necessário for. Afinal, um sonho, não tem preço! E nem a minha teimosia!

Coloca-se tudo no papel. Supermercado, taxas extras de documentação, aluguel, passagem aérea. Vamos sem assessoria, o câmbio está muito alto, o carro não rendeu muito e sou esperta o bastante para fazer sozinha. Encontra uma pessoa bacana que alugue um quarto, uma cidade menor e se joga. Tudo feito. Mas ainda faltam esses 20 dias…E eu que pensava que estava preparada para tudo. Voltar não é uma opção, mas ficar presa, também não.

Dizem que devemos ficar leves para as coisas virem mais fácil. Quando nos despreocupamos, elas acontecem. Pode ser, de verdade, acredito nisso. Na teoria, tudo é lindo. Na prática…Quero poder me tele transportar até o Consulado de SP e fazer o responsável enviar logo essa Non-Renúncia que falta e me liberar! Comer já não é o suficiente para acalmar os ânimos e o tempo passa como se não existisse. Estou 5h à frente não apenas do Brasil, mas da vida. É tudo muito depressa e eu só queria o documento e a calma de uma Orquestra.

Procuramos uma independência para nos vermos “livres” de cobranças de pais, família e estarmos no controle de nossa vida. Mas a verdade é que, esse controle, é uma mera ilusão. Sempre estaremos dependendo de alguém ou algo, para conseguirmos o que queremos ou precisamos. Seja no trabalho, em uma viagem ou com seu próprio sonho. Não sei quanto tempo mais precisarei esperar. Rezo para que não muito. Mas a realidade é que, eu terei que esperar, porque essa cidadania me trouxe até aqui e eu só sairei com ela em mãos.

Uma vez escutei de uma artista, Lea Freire, que nós somos o único representante dos nossos sonhos na Terra. Verdade. Se nós não lutarmos por nós, quem fará? Sendo assim, faço o que for necessário. Sempre em frente e sem olhar para trás.

Buongiorno! Namastê!

 

Folhas Secas-Feliz Vida!

 Hoje eu acordei com uma música na cabeça que eu simplesmente amo. Folhas Secas, de Nelson Cavaquinho e, interpretada maravilhosamente bem por Beth Carvalho, Elis Regina e outros grandes. Mas a voz que cantava, quando acordei, era de uma artista e amiga muito particular. E por ser um dia importante, preciso escrever sobre.

No dia 3 de Fevereiro desse ano fui convidada por um amigo para o aniversário de um músico incrível. “O que eu farei lá, eu não conheço ninguém!” “Fica tranquila, a Cibele também vai, finalmente vocês se conhecerão e as pessoas são ótimas!” Claro que eu fui, que pergunta para uma aquariana que adora uma farra!

Foi chegar na festa, trocar duas palavras com a famosa Cibele, uma cerveja…Pronto! Risadas! Amigas desde sempre! Era o que estava faltando. Foi por você confiar em mim no primeiro ‘Oi’, foi por rir até sentir dor na barriga, depois de boas taças de vinho, foi por competir uma Mousse de chocolate…Foi por dividir seu primeiro café na chaleira de boneca e seus segredos…Por ser tão presente, mesmo longe…Por tantas outras coisas mais e que ainda virão, que eu sei que você é a amiga que faltava.

É por essa sua música linda e essa sua arte de levar a vida numa boa, sempre positiva e sorrindo, que sou grata por poder dividir meus contos com você. Ainda que, atualmente, com um oceano no meio. Mas como eu gosto de dizer: temos a mesma Lua! Estamos perto.

Uma das artes de se estar longe é driblar nossos sentimentos ‘pesados’ e tristezas. Não permitir que eles tornem-se permanentes, a ponto de nos cegar para as coisas boas. Torná-los aprendizados, isso sim, é a mágica. E uma sabedoria. Deveria ser fácil, aos 30 anos, ter essa compreensão e tirar de letra. Compreensão até tenho, tirar de letra, são outros quinhentos. Mas a roda-gigante não para de girar e vamos seguindo, carregando conosco o que nos serve e, deixando pelo caminho, o que já não precisamos mais.

Passar por essas datas e emoções é inevitável. Mas poder ter a disposição a tecnologia de transmitir o que sinto e, minhas palavras escritas para o mundo e para quem eu amo, é um alívio. Mas Sentir sempre a flor da pele pode incomodar. Nesse momento, choro feito criança. Mas é como você fala: “Mendua, nós somos assim e é melhor do que ser bege!” Sim, gostamos mais do colorido!

Bele, não sei se agradeço ao Ipi ou ao Universo por ter nos apresentado. Mas Não importa, porque acredito que muita coisa é traçada e amigos, nunca são por á caso! Que seu dia seja repleto de alegrias e sorrisos, assim como você é. Que as pessoas que você ama te cerquem, mesmo algumas em países diferentes. E que a sua voz jamais se cale.

Feliz Vida! Com amor e saudades!

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E com suas “Folhas Secas”

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Artista: Cibele Codonho

Festival de Paranapiacaba-SP-Brasil

 

Sábado. Sabato. Saturday. Samedi. Samstag…

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Eu não imaginava a paz interior que eu sentiria. E nem a briga emocional interna que essa paisagem causaria. Dei de presente para minhas retinas esse verde com tons de uva. Elas até clarearam. O cinza era muito triste, gostamos mais de cores. Minha janela parece estar de frente para um quadro.

É sábado. O quinto, desde que eu cheguei e, como todos, é o dia em que eu paro e observo ao redor. Onde estou. O que tenho feito. Que escolhas são essas. É o dia que mais me toca, que me traz maiores lembranças e detalhes.

Sábado era o dia em que eu acordava correndo para abrir a porta pro meu pai, que chega do Rio de Janeiro. Mas esse não. Já há um mês que não abro mais a porta. Espero que ele tenha levado a chave.

É dia de feira do Pacaembu! Pastel, tapioca, caldo de cana, biscoitos, flores…É dia de família! Dia de encher minha afilhada de beijos e almoçar fora. Dia de sair com os amigos ou ver filme até tarde. Dia de Futebol!

Não vou mentir. Há dias em que falta força até para escrever. O agito dos dias de semana blindam o coração mas, no sábado, ele encontra uma fresta e transborda. Olho mais uma vez. Agora, o Sol toca as montanhas.

Na primeira semana eu parecia ter a certeza do meu lugar no mundo. Havia chegado nele. Mas hoje, as possibilidades são imensas. A cada dia que passa, a cada sábado meditado, o mundo aumenta e eu, abro mais ainda minhas asas.

Sábado. Quando eu paro para ver o céu tocando a terra. Quando todas essas deliciosas lembranças vem me despertar. Que esse Por- do -Sol da Toscana abençoe meus caminhos e minhas emoções.

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O Carrossel

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Lembro de uma crônica de uma das minhas escritoras prediletas, Martha Medeiros, onde ela fala sobre ‘virar a esquina errada’, seja no sentido literário ou metafórico. De fato, quem nunca virou uma esquina errada e se surpreendeu com o destino diferente?

Bom, aos 30 anos o que eu mais posso contar são esquinas que virei erradamente. Das mais chatas, onde precisei pegar mais de um ônibus para voltar e me atrasei, até as que me surpreenderam e me fizeram renovar todo um projeto.

E o que não faltam nas cidades Italianas são ruas e vielas para entrar errado e perder-se em meio aos muros antigos. Mas sempre haverá o que descobrir. A cada esquina que dobra você poderá encontrar uma doceria charmosa, uma gelateria, uma igrejinha, uma praça cheia de saídas ou uma casinha antiga, daquelas de filme que você irá olhar e pensar: “eu moraria aqui!”

Firenze não seria diferente. E em uma das minhas andanças por essa cidade encantada, a procura de uma Igreja específica, virei uma esquina errada e ganhei de presente o dia: havia chegado na Praça da Repubblica, o lugar histórico mais antigo da cidade, que eu não tinha visto no mapa, pois meus olhos visavam outro lugar. E ali, naquele espaço cheio de turistas, cheio de informações avistei um Carrossel, clássico, de Conto-de-Fadas, de mexer com as emoções de qualquer adulto. Ali, no meio da praça!

Rodava, no tempo em que a nossa vida deveria andar: leve e sem presa. Rodava, com crianças montadas nos cavalos, as menores acompanhadas de seus pais, sorrindo, mesmo naquele calor escaldante- o dia estava muito quente- sorrisos! Rodavam cores e infância por toda a parte. Que delícia poder ser criança, que delícia poder sentir isso mesmo depois de crescida, mesmo com tantas responsabilidades e preocupações, poder sentir que a vida pode ser muito mais simples.

Como o sorriso que aquele Carrossel colocou em meu rosto. Passei um tempo em frente a ele sem pensar em nada. Deixando a mente fluir. Lágrimas. Sensação de leveza. Era como se eu escutasse uma Sonata de Beethoven.

Saudades. Saudades de sonhar sem peso, saudades da infância, da magia. Em que momento perdemos isso, eu não sei, mas não devemos perder.

Gratidão, por ter me perdido com o mapa e ter ganhado o maior presente do dia, senão, até hoje, o da viagem! Tornou-se meu lugar favorito.

A esquina errada que me levou à tranquilidade que eu precisava naquele momento. Aquilo que eu senti, de frente ao Carrossel, era felicidade!

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“E daí? Eu adoro Voar!”

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23.09.15

Há um mês eu trocava minha casa, meu quarto, meu conforto, por um salto cego. Vendada por um sonho e um impulso desesperado por ‘algo novo’. Obrigava minhas asas a se abrirem mais ainda, feito asas de Albatroz, pois ali, eu me encontrava sozinha, apenas com a Senhora do vento.

Há um mês eu partia no que seria e, tem sido, minha mais ousada jornada. Uma aventura sem datas, sem apegos, com apenas duas malas. Parti em busca de um lugar melhor, onde eu não tivesse medo; em busca de novas oportunidades, novos idiomas, pessoas e lugares; em busca do meu lugar!

me a ser eu mesma. Parti em busca de um sonho que, um dia, foi do meu avô, de retornar à sua Pátria. Parti para perdoar a menina de 20 anos, que virou uma esquina ‘errada’ e eu a culpei por longos 10 anos. Prometi à ela que corrigiria nosso “erro”. Ela, que me fez a mulher que sou hoje. Talvez, aquela esquina, não tenha sido de todo mal.

Aprendi nesse primeiro mes que, por mais saudades que voce sinta, tudo caminha conforme tem que ser; ninguém morre de amor ou sem voce; a sociedade continua igual e, o mais importante, as pessoas da sua vida de verdade, estarão ao seu lado, seja qual for o Continente ou o fuso horário. Temos a mesma Lua! Aprendi que adoro minha liberdade, meu silêncio e que, ficar sozinha em alguns momentos, é essencial. Aprendi que o medo pode ser um aliado e tudo dá certo ao final. Aprendi que sei viver sem muitas coisas e “morro” de chorar por outras. Aprendi, acima de tudo, que quero apenas Paz e Amor…E ajudar o mundo, pois parte dele.

Todos dizem que segurar o primeiro ano é o mais difícil. Eu sei. Já vivi isso antes. Mas, nesse primeiro mês de novos ares e turbulências, só quem me ouviu gritar pode falar. Sobrevivi a esse primeiro estágio do voo, sobreviverei ao que vier. E como diz um amigo querido: “aproveite esse voo, você já saltou!”

Viva o primeiro mês de Mundo Novo de Novo!

Bem-vindos!

Oi! Sou a Amanda Linardi, autora do blog Mundo Novo de Novo.

Sou atriz de formação, produtora por trabalho, artista de alma… Uma mulher pelo mundo, cansada da mesmice, descobrindo dia a dia suas dores e alegrias. Lidando com os monstros internos de se estar sozinha e a beleza de se estar viva em diferentes lugares.

Aquariana, minha liberdade é o que me prende e o que me ensina. Meus sonhos me sustentam e os desafios me impulsionam. Os 30 anos são o “agora ou nunca”. E minhas palavras são minhas verdades fora de mim. Sem medo de ser feliz! Mundo novo… de novo!

Amanda Linardi

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