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Lembro de uma crônica de uma das minhas escritoras prediletas, Martha Medeiros, onde ela fala sobre ‘virar a esquina errada’, seja no sentido literário ou metafórico. De fato, quem nunca virou uma esquina errada e se surpreendeu com o destino diferente?

Bom, aos 30 anos o que eu mais posso contar são esquinas que virei erradamente. Das mais chatas, onde precisei pegar mais de um ônibus para voltar e me atrasei, até as que me surpreenderam e me fizeram renovar todo um projeto.

E o que não faltam nas cidades Italianas são ruas e vielas para entrar errado e perder-se em meio aos muros antigos. Mas sempre haverá o que descobrir. A cada esquina que dobra você poderá encontrar uma doceria charmosa, uma gelateria, uma igrejinha, uma praça cheia de saídas ou uma casinha antiga, daquelas de filme que você irá olhar e pensar: “eu moraria aqui!”

Firenze não seria diferente. E em uma das minhas andanças por essa cidade encantada, a procura de uma Igreja específica, virei uma esquina errada e ganhei de presente o dia: havia chegado na Praça da Repubblica, o lugar histórico mais antigo da cidade, que eu não tinha visto no mapa, pois meus olhos visavam outro lugar. E ali, naquele espaço cheio de turistas, cheio de informações avistei um Carrossel, clássico, de Conto-de-Fadas, de mexer com as emoções de qualquer adulto. Ali, no meio da praça!

Rodava, no tempo em que a nossa vida deveria andar: leve e sem presa. Rodava, com crianças montadas nos cavalos, as menores acompanhadas de seus pais, sorrindo, mesmo naquele calor escaldante- o dia estava muito quente- sorrisos! Rodavam cores e infância por toda a parte. Que delícia poder ser criança, que delícia poder sentir isso mesmo depois de crescida, mesmo com tantas responsabilidades e preocupações, poder sentir que a vida pode ser muito mais simples.

Como o sorriso que aquele Carrossel colocou em meu rosto. Passei um tempo em frente a ele sem pensar em nada. Deixando a mente fluir. Lágrimas. Sensação de leveza. Era como se eu escutasse uma Sonata de Beethoven.

Saudades. Saudades de sonhar sem peso, saudades da infância, da magia. Em que momento perdemos isso, eu não sei, mas não devemos perder.

Gratidão, por ter me perdido com o mapa e ter ganhado o maior presente do dia, senão, até hoje, o da viagem! Tornou-se meu lugar favorito.

A esquina errada que me levou à tranquilidade que eu precisava naquele momento. Aquilo que eu senti, de frente ao Carrossel, era felicidade!

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