Mês: outubro 2015 (Página 1 de 2)

Cidadã Sem Fronteiras

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“Veni, vidi, vici”

(Vim, vi, venci)

Assim como o grande General Romano Julio Cesar, quando venceu uma de suas tantas batalhas.

Assim como a borboleta que sai do casulo livre para voar.

Assim como uma criança que aprende a andar; Os primeiros passos de independencia.

Assim como minhas primeiras palavras soltas para o mundo, em meu blog, eu fiz acontecer e consegui.

Cruzei o oceano e fronteiras. Adaptei os ouvidos á um novo idioma e a mente á novos caminhos. Evoluí o paladar comendo com amor e sem frescura, ou, sem limites mesmo! rs Dos doces aos paninos, ás pizzas e vinhos. Preparava minhas asas. Abria meus olhos.  Á minha frente, apenas, tudo o que eu quisesse.

60 dias de Itália. 45 dias de batalha. A espera é finita. O documento valioso chega às minhas mãos no dia 26 de Outubro. Um pedaço de papel que consta escrito o que sonhei ler minha vida toda: Amanda Linardi de Oliveira Brandão, Cittadina Italiana. Viva!

Naquela manhã caminhei até o Comune como fazia todos os dias. Mas eu estava diferente, menos apreensiva. Dias antes tinha decidido jogar no vento esse Documento. Tinha decidido ‘desistir’ de pensar nele e parar de me preocupar. Desapeguei de tudo. Fui andar no meio de plantações de uva, fui á Firenze assistir jogo de Futebol e fiquei horas sentada na porta da igreja vendo a vida passar. O famoso Dolce Fa Niente! E era só o que o Universo estava esperando de mim. Tranquilidade e Crença.

Ao passar pela porta do Comune, escuto uma das Senhoras dizer: Mas é a Amanda LInardi a mais nova Cidadã Italiana! Não tive tempo para responder. Caí em choro e não parei mais. Estou chorando até agora, se querem saber. rs Minha espera havia chegado ao fim. Meu sonho estava realizado. O sonho que começou lá atrás, com meu avô, em nos fazer cidadãos italianos. A semente que ele deixou dessa possibilidade e que cresceu em mim. Todos os meus investimentos- fincanceiros e, principalmente, emocionais- ali, eram recompensados. Assinando minha Certidão eu tive a certeza de que nada foi em vão e, eu faria tudo de novo.

Sorrindo á toa! Meus caminhos foram cruzados por Anjos, que tiveram toda a paciência do mundo comigo, que lutaram pelo meu processo junto comigo, que facilitaram ao máximo meus dias. Gritei por todas as horas restantes ao Universo e aos meus Santos e Guias. Gritei e gargalhei feito criança, porque naquele dia, eu compreendi todos os meus passos até aqui.

CITTADINA ITALIANA!!!!

Jamais deixarei de ser Cidadã Brasileira. O Brasil é o lugar onde eu nasci, cresci, fui criada e educada. É onde estão minha família e amigos- parte deles hehe Mais ainda, é o país que meu avô escolheu para construir uma vida nova. Isso não mudará. Mas ser Cidadã Italiana é um direito meu e um orgulho, que eu não deixaria passar. E  se meu bisnonno Eugenio  nunca se naturalizou, é porque sabia que sua futura geração tornaria á casa nostra!

É eterna a cidadania. A nossa familia.

Il sogno si è avverato, nonno! Ho fatto per te…Per tutti Noi! Grazie mille per quel cognome e il sangue!

Conquistando terras, como no jogo War! Mais um Continente carimbado!

Cidadã Italiana…Cidadã do Mundo…Brasileira e Sem Fronteiras!

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Vinho, risadas e a renovação

Coloque em um mesmo ambiente três mulheres. Três diferentes idades, pensamentos, desejos. Acrescente uma garrafa de vinho e, em alguns segundos, terá diferentes histórias, desabafos, confissões. Em meio a tanta diversidade, uma coisa em comum: O sonho da cidadania italiana! Para cruzar fronteiras, para privilegiar suas futuras gerações, para fazer valer a imigração dos avós. Não importa. O sonho que as levou para o mesmo país e, por alguma razão, para a mesma casa. Estava criado o elo.
Ontem, confesso, que cheguei desiludida de tudo. Deitei na cama e quis desistir. Já não queria pensar mais em dinheiro, gastos, documentação e, muito menos, em tempo. Eu, a aquariana sonhadora e livre, cansou e pediu trégua.
“Que isso Amanda, nós abrimos um vinho, vem aqui, bora conversar, estamos todas precisando falar!”
Vinho…Toscana…Porque não. Larguei o email que estava respondendo e fui. Não precisou muito para virarmos ‘melhores amigas’. As diversas experiências contadas, traziam soluções e conforto para cada angústia individual. O quarto tornou-se o centro de risadas. O alívio que faltava. Meu corte interno cicatrizava por uma noite.
Ninguém é feito de ferro. E eu venho descobrindo que sou uma pessoa que não faz questão nenhuma de ter mais equilíbrio ou mais racionalidade. É muito fácil ser engolida pelas minhas frustrações e pensamentos de revoltas. Talvez por ser mais cômodo do que enfrentar ou, talvez, por me inspirar e me empurrar, não sei. Mas sei que é uma delícia quando se tem com quem desabafar, conversar e socar um ‘João Bobo’, para tirar de dentro todo sentimento ruim e travado. É uma delícia dividir espaço e confiança e, não apenas, seguir regras.
Eu precisava disso. Precisava de novas pessoas. Aliás, precisava de pessoas! A chegada das meninas na casa foi o que melhor aconteceu, até agora. Deu mais vida, novas energias circulando pelos ambientes. E Mais! Nova rotina!
Hoje completo dois meses de Itália. Dois meses. E eu que achava que o tempo só corria no Brasil, aqui então, ele nem descansa. Sessenta dias de mais aflições do que sorrisos; Mais choros do que alegrias; De muitas descobertas e orações. Sessenta dias de incertezas e inseguranças; de saudades e um milhão de pensamentos e planos. Nunca oscilei tanto em minha vida. Parece que tenho sofrido um processo de desintoxicação emocional. Sessenta dias querendo voltar para casa ou fugir para a Rússia. Um amigo meu fala que, não são as doenças que nos matam mas sim, as emoções. Bom, posso considerar-me uma sobrevivente, então. Disso, não tenho dúvidas.
Meu documento? Bom, junto com 60 dias de Itália, completo 44 dias de espera e, resolvi jogá-lo no vento. Voltei a cogitar a Rússia ou, quem sabe, a Croácia. Quem sabe até, me inscrever na ONU e ir trabalhar com refugiados. Não sei. Só sei que não quero mais sofrer por isso. Meu desgaste foi renovado. Não posso mais deixar nas mãos de um pedaço de papel, a solução da minha vida. Meu sonho vai muito além. Hoje, me permiti não pensar. Respirar será o máximo de esforço.

Escutar é preciso

Saber escutar é um exercício diário e fundamental. Na maioria das vezes escutamos apenas aquilo que queremos, temos a capacidade de mudar até palavras, quando estas passam pelos nossos ouvidos. Habilitamos o botão da “surdez” momentânea e filtramos tudo o que não nos importa, o que não nos interessa. Para impor nossas verdades e vontades, pegamos apenas o que supostamente, nos completa.

Escutar é preciso, sim. Escutar com paciência, com calma e com respeito às palavras do próximo. Seja de desespero, de raiva, de alegria ou tristeza…Escute, antes de julgar. Aliás, não julgue, apenas, escute. Muitas vezes não queremos palavras de apoio, críticas ou conselhos. Queremos apenas ser escutados. E quando escutados, não queremos ser interrompidos, mas somente, escutados.

Escute-me, antes de interromper-me e dizer o que pensa. Escute-me, antes de aconselhar-me ou agredir-me verbalmente. Escute-me, antes de impor suas condições. Seja mais flexível. Doe seu tempo para esse momento. Fale doce e escute.

Na tentativa de querermos ajudar, acabamos por nos estressar mais e, também, à quem precisa ser escutado. Perdermos palavras, perdemos o rumo. Perdemos a explicação e o tom. A sabedoria de saber lidar com questões alheias, sem menosprezá-las, sem colocar a nossa questão à frente, não é simples e, essa lição é para a vida inteira.

Melhor do que retrucar, é dar um abraço. Um simples “fica calma”, pode resolver tudo naquele segundo. Fazer com que o amigo não sinta-se só, passar confiança. Escute, antes de tudo. E respeite. Nem todos reagimos da mesma maneira. Explodir, algumas vezes, também é preciso.

Em família quase não percebemos essa arte. Falamos todos ao mesmo tempo, rimos, choramos, nos escutamos do jeito que dá e nos resolvemos. Em algum momento o pai irá gritar:” Ei, me escuta antes de reagir!” Mas família sempre acaba em pizza. As italianas então!

Mas quando dividimos casa com desconhecidos, que tornam-se nossa família da noite para o dia; quando, antes de amigos, somos estranhos, há de se ter muito equilíbrio para colocar em prática a arte de escutar, sem estres. Uma simples conversa pode levar ao fim dos tempos. O romantismo é destruído, o negócio desfeito e o leite desanda.

Chegaram duas novas hóspedes na casa. Eu adorei as novas cias! Agora somos 4 mulheres. 4 diferentes personalidades, 4 diferentes vozes, 4 diferentes desejos e gostos. Antes de uma querer impor alguma coisa, precisará ser muito bem escutada. Somos estranhas conhecidas. Individuais, até que a porta de nossos quartos se abram, onde então, tornamo-nos um coletivo. Começo a compreender a minha missão e lição de vida nesse lugar.

Por favor, deixe-me concluir e escuta!

Sim! Agora Amêndoa, fica calma. Respira. Toma um gelato. Dará tudo certo!

58 dias de Itália. 41 de espera e entendimento. E de muita escuta.

 

 

Contra o Tempo…Só o Amor

O Brasil entrou no horário de verão e eu pareço ter entrado em órbita. O tempo aqui não anda, ele voa. Não estamos apenas 4h na frente, estamos dias. Eu acordo e, em um piscar de olhos, já estou na cama novamente. O relógio não perdoa. A paisagem também não. As dores, continuam as mesmas.

Perdemos o Horus nesse domingo. Acordamos com seus miados de dor, corremos ao veterinário mas, não houve tempo. O tempo, mais uma vez. Este, que me tortura há dias. Este, que é incontrolável. A famosa corrida contra o tempo. Tempo é dinheiro. Tudo isso é uma verdade, estamos lutando com ele e contra ele todos os dias, ou, o ‘tempo’ inteiro.

Tempo. Quanto tempo tem uma dor. Uma saudades. Uma lágrima. Uma alegria. A nossa felicidade. Como se mede o tempo, como calculá-lo e saber que estamos à sua frente ou que ele está a nosso favor. Há uma música do Musical Rent, chamada ‘Seasons of Love’- Que podemos traduzir como ‘Tempos de Amor’ ou “Temporada de Amor”. A letra é bastante interessante, pois fala em medir a nossa vida em amor, nosso tempo. Meça em amor.

Amor. Gostaria de poder tocá-lo e usá-lo como uma arma visível contra todo esse Tempo desgastante e todas essas dores que parecem infinitas. Ás vezes, sentí-lo apenas, não basta. A força acaba. O escudo cai. O corpo arria. O tempo vence. Mas o tic-tac reinicia já no segundo seguinte, porque ele não para. E há de se levantar e encará-lo frente a frente, gritar se preciso for e tê-lo como aliado.

Não, não é fácil, porque ele pode te desestruturar, fazer seu mundo “cair” e, quando você perceber, ele terá passado mais ainda. Não se renda. Não caia nunca. Nem perante a dor mais cortante. O tempo é uma luta diária, mas pode ser uma solução amiga. E se começar a te enlouquecer, em algum momento, cale-o. Nem que para isso você precise desligar todos os relógios. Acompanhe apenas pela mudança do Sol. Essa calma pode ser a melhor arma contra ele. Shhhh, não fale alto. Se você não se render, ele se rende.

56 dias de Itália. 40 dias lutando contra o tempo. Agora mais do que nunca. Um dia pode mudar, literalmente, minha vida. Um dia. Uma escolha. Mas ele há de se render, porque eu estou armada de amor.

Descanse em Paz nessa bela paisagem, Horus! Agora, nos braços de São Francisco de Assis.

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A arte de sorrir

“A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não.”

A sensação que tenho é que venho fazendo isso há muito tempo. Rebatendo o mundo com um sorriso em defesa às avessas. Um sorriso tirado do estômago, capaz de fazer os olhos brilharem. Mas, se olhar com atenção, verá que é apenas um disfarce. O escudo se abre. A concha me abraça. Por favor, não perturbe.

30 anos e mais desgastada emocionalmente do que aos 20. Ninguém disse que seria fácil, mas também nunca falaram que maturidade poderia machucar. Tanta bagagem, era para o sorriso ser natural. Eu saí em busca de uma independência, de uma solidão que me obrigasse a crescer. Ou o casulo está difícil de abrir, ou abriu rápido demais e estou perdida entre as árvores.

Ainda falta o ar. Ainda falta espaço. Ainda falta arte.

“No fundo amiga, acaba sendo cada um por sí e esse é o baque.”

Baque? Tristeza. Não deveria ser assim, tão ao pé da letra. Sinto-me um pássaro engaiolado. Puxa! Até aqui na Itália? Não era para ser diferente!? E a liberdade sonhada, os caminhos não traçados, os dias não planejados…Seja bem-vinda a sua prisão interna. E essa espera que obriga-me a pensar nisso todos os dias. Tic-Tac, tic-tac, tic-tac…A rotina de todos os dias.

“E então!? Chegou?”

“Ainda não”

Tic-Tac…

Presa. Na paisagem mais bela da Toscana. Conheço todos os cantos. Todos os sabores. Presa. Nos dias mais previsíveis. Contados. Cada centavo. E ainda ter que sorrir. Ah! Viva a arte de ser atriz.
Pergunto-me se é falta de oração. Não creio que seja mas…Ou de sorte mesmo. Ou é assim que gira o Universo. Está tudo bem, porque sei que ao final do arco-íris alcançarei o que desejo. Apenas gostaria que, não fosse assim, sempre, tão sofrido. Tão aos 48 do segundo-tempo.

Qual a lição? Sim, estamos sempre passando por essas provações da vida, não importa a idade ou escolhas. Penso que, talvez, pudesse ser pior. Clichê, eu sei, mas é vero. Fazemos dos nossos tormentos os mais pesados mas, na verdade, há solução. É que de olhos vendados, fica mais difícil enxergar, mas há. Essa é mais uma mágica. Saber enxergar. Lição.

Por isso eu agradeço, todas as manhãs, quando acordo. Agradeço sempre a escolha mais importante que faço: Continuar! Continuar no caminho, continuar aprendendo, continuar tentando. Minha flecha é para frente e certeira. Essa mulher, vocês não verão desistir. No máximo, aperfeiçoará a arte de sorrir.

53 dias de Itália. 40 dias esperando o documento.

Boas energias!

Namastê

 

Escolher é Perder

Enquanto eu comemorava o email do Consulado de SP, dizendo que minha documentação já era encaminhada, recebia notícias nada agradáveis do Brasil. Uma delas: Mudar sua passagem de volta, para o ano que vem, custará uma tarifa de 3410 reais+175dolares+40= CHE COSA??? Quando eu comprei a passagem, a moça da CIA Aérea disse que eu tinha 1 ano para usar mas, que pagaria a taxa de 175 dólares por mudança. Não foi citado que haveria uma tarifa por diferença de preço e, muito menos, que a tarifa de uma perna apenas, custaria o valor de uma passagem inteira, ida e volta. Porque a nossa economia está falindo e qualquer centavo de dólar transforma-se em milhões de reais.

Aí eu penso: voltar ao Brasil para que?

Mas na hora, de tão indignada, joguei ao vento a possibilidade de sim, voltar ao Brasil, para não perder essa passagem e, já comprar uma nova para voltar para cá, assim não corro o risco de ser presa no sistema novamente. Foi um pensamento rápido, inesperado, que mexeu demais com meu consciente. Iniciou-se uma discussão interna: Enquanto a Mente gritava “ NÃO”, o Coração gritava “ SIM!” A escolha? Toda minha.

Minha. Eu que, muitas vezes, não sei escolher onde ir comer. Que faço da escolha de um sapato, uma tempestade. Minha. Como escolher se volto de férias ao Brasil ou não. Como escolher ser a “fracassada”, que volta 2 meses e meio depois ou a suposta corajosa que ignorará tudo e todos e seguirá em frente. As opiniões alternam-se muito. Família, amigos, possibilidades…O medo de cortar a corrente do destino, já armada; a oportunidade de rever entes queridos, passar o final do ano em casa e retornar com a bateria renovada.

“O que você quer fazer?! O que fará VOCÊ feliz?! A única coisa a ser pesada é a sua felicidade!”

A pergunta clássica, que nos coloca contra nós mesmos e nos obriga a parar a discussão interna e decidir, feito gente grande dona do próprio nariz! CHEGA! A pergunta que eu sempre faço para os outros, mas detesto fazer para mim. Jogada contra o tempo, é agora ou nunca. Por que? Por que sempre tem que haver esse “agora ou nunca”? Nossa vida não pode ser feita baseada em uma única escolha ou uma única oportunidade, não! Por que nos cobramos tanto? E como uma passagem aérea pode tumultuar tanto uma pessoa. Saia da casca, Amanda, escolha!

Atormentada. As duas escolhas me deixarão feliz pois, após escolher uma saída, a outra se fechará e eu nunca saberei então, a minha escolha será a melhor. Qual o medo? Pode-se ir e vir a hora que quiser. Sofrimento é estar em campo de batalha pedindo Paz. Essa escolha, é uma provação da vida e uma amostra de crescimento. Não importa o que digam, é minha. E no fundo, isso é o que mata. É tão minha, que incomoda. Porque as consequências também serão apenas minhas. Não há a necessidade de agradar à todos, tenho que agradar, nesse momento, apenas, à mim.

Mais do que calcular o que será econômico ou não, é escolher sozinha. Como há 10 anos. Aqui estamos mais uma vez. A pequena grande diferença é que, dessa vez, eu tenho o poder de reverter e retornar. Dessa vez, é uma mulher que escolhe e não uma menina. E não há muito tempo. Ou talvez haja, basta eu querer. Há o conforto em saber que, independentemente, estarei bem em ambas as escolhas. Preciso estar bem sabendo que perderei uma passagem. Desapegar. Escolher é perder. E no aprendizado, ganhar.

Mês passado, o autor Paulo Coelho, publicou em seu blog um trecho do escritor grego Nikos Kazantzakis.

Finalizo com ele, pois descreve bem o que sinto nesse momento.

Namastê!

 

O grande escritor grego Nikos Kazantzakis (“Zorba, o grego”) conta que, quando criança, reparou num casulo preso a uma árvore, onde uma borboleta preparava-se para sair. Esperou algum tempo, mas – como estava demorando muito – resolveu acelerar o processo, e começou a esquentar o casulo com seu hálito. A borboleta terminou saindo, mas suas asas ainda estavam presas, e terminou por morrer pouco tempo depois.

“Era necessária uma paciente maturação feita pelo sol, e eu não soube esperar”, diz Kazantzakis. “Aquele pequeno cadáver é, até hoje, um dos maiores pesos que tenho na consciência. Mas foi ele que me fez entender o que é um verdadeiro pecado mortal: forçar as grandes leis do universo. É preciso paciência, aguardar a hora certa, e seguir com confiança o ritmo que Deus escolheu para nossa vida”.

 

 

No caminho um pneu…Furado!

50 dias. E acordei pensando o que pode estar atrapalhando tanto minha documentação. Qual a pedra no caminho entre Brasil e Itália. Remeteu-me à famosa Pedra no Caminho do meu admirado Carlos Drummond de Andrade. Penso então que, sempre haverá pedras e devemos saltá-las, melhor, destruí-las, para não surgirem novamente no mesmo caminho. Engraçado. Na semana passada fomos à Pisa, como já comentei e, na estrada de volta tivemos nossa “pedra”. Na verdade, um pneu. Havia um pneu furado em nosso caminho. Um dos pneus do carro da Kátia!

Estar em uma situação como essa não é nada agradável. Então imagine todo o nervoso natural com: chuva, frio, escuro, fome e uma vontade desesperada de ir ao banheiro! Claro! Porque nessas horas acontece de tudo, o Universo adora nos ver rebolar nessas situações. Por que apenas um pneu? Vamos agregar outras coisas. Agradável? Passou a ser divertido, que escolha teríamos.

Mais de 19h e vem passando na calçada- por sorte estávamos perto de uma cidadezinha- um homem, bem aparentado e davvero carino! Amanda, presta atenção, precisamos falar em Italiano! Sí! Graças aos Céus! Ele foi extremamente gentil, conversou conosco calmamente, ligou para oficinas ao redor, que poderiam nos atender àquela hora e trouxe uma tranquilidade que precisávamos. Respira, há solução. Não precisaremos dormir no carro.

Mas a fome, que me consumia internamente, era nada comparada a vontade de ir ao banheiro. Poucas casas em volta. Será que toco a campainha? O que irão pensar. A Kátia preocupada com o escuro, duas mulheres sozinhas, realmente. Qualquer um que passasse segurando um guarda-chuva, tornava-se um serial killer em nossas mentes. Calma, estamos na Itália! Bom, mas humanos loucos há em todos os cantos, certo? Mas e daí também, eu só precisava de um banheiro e nada do mecânico chegar!

Então, a pergunta: há estepe no carro?

Não! Como não!! Você compra um carro sem estepe?? Procura em tudo, vira do avesso e nada! Isso não existe, é lei todo carro vir com estepe e, não pode ser apenas Lei Brasileira. Explica para o mecânico que precisaremos de um pneu novo. O mocinho perguntou se gostaríamos que ele esperasse conosco o mecânico chegar mas…No, vá bene, não precisa!

Claro que precisava! Que desperdício de chance!

Continuava escuro. Continuava com fome e o banheiro…Seeeguuuraaa! Não pensa nisso, é psicológico, assim como o frio! Madonna Mia! Tentava me distrair conversando por msgs no meu telefone com amigos e era só risada!

Como vocês não tem estepe!!!!??

Ainda mais isso!

Chegou, Amanda, chegou! Eu vi um carro que parece ser de oficina! Viva! Estava explodindo!

Moço, não temos estepe! Claro que vocês tem estepe! Este, estava DEBAIXO do carro!!! Como?? Sim! Habbemos Estepe! E antes de se estressarem, alguma das duas pensou em ler o manual do carro…? Bom, veja bem…Eu tinha uma vontade gritante que precisava controlar então…Viva, habbemos estepe!

Nada como um homem nessas horas para fazer o serviço pesado. Levanta o carro. Lanterna. O pneu estava rasgado, em algum momento, em alguma manobra, o pneu rasgou em alguma coisa. Nossa, quanta suposição. Mas sim, não conseguimos imaginar exatamente onde, já que o mecânico jurou que não era prego. Feito o serviço, vem o pagamento ou a dor no fígado.

50 Euros! Che cosa???

50 euros para trocar um pneu, isso é um absurdo!!! Ah, veja bem, eu estava vindo de Firenze, indo direto para casa e blá blá blá…Duas mulheres sozinhas, estrangeiras, precisando dessa troca, era vida ou morte, claro que ele cobraria alto. Há quem diga que serviços na Europa, em geral, são caros mas, ei!! Um abuso. Detesto sentir-me usada.

Se soubéssemos que era apenas aquilo, que havia estepe, teríamos pedido para o primeiro rapaz trocar. Ou poderíamos ter tocado em alguma das casinhas.

Sabe Kátia, acho que está na hora de nós, mulheres, aprendermos a fazer esse tipo de coisa. Sair dessas situações sem depender de homens ou de 50 euros! A independente falando!

Eu? Imagina, me sujar inteira para trocar um pneu! Prefiro um homem, ainda que eu precise pagar. Mas que foi um roubo, foi.

Então tá. Lição do dia…Ler o manual antes, prestar atenção em manobras e SEMPRE saber onde fica o estepe. E ter dinheiro nota. Ufa!

Sã e salvas…Salvas, pelo menos!rs 

Mas, corre, por que eu ainda preciso ir ao banheiro!

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Refletir na Fé e no Amor

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Meu final de semana foi assim, sob chuva, friozinho, sofá, um bom livro, filme e muita reflexão. O café da manhã ao som de músicas que me remetem boas lembranças. Por hora, no lugar das lágrimas, sorrisos. Mais confiança, menos medo. Novas ideias e me preparando para o que vier.

Há espaço para tudo quando se tem apenas suas reflexões. Sair de casa, muitas vezes, é sinônimo de adiar pensamentos. Quando não se tem essa possibilidade, deve encará-los. Não há terapia mais profunda do que se olhar no espelho, fazer suas contas, revirar do avesso mais uma vez. E mais outra vez. Sinto uma necessidade, cada vez maior, de mim mesma. Não sei se é independência ou uma forma de adaptação. O sabor amargo de saber estar sozinha. Tudo bem, eu já provei venenos piores.

Não é dor, não. É que pode te levar para um lugar onde não conhecia. Pode acessar um canto que estava bem quando não era acessado, não precisava abrir aquela gaveta. Mas abriu. Saíram outras preocupações, novas soluções e, também, boas lembranças. Elas, que me matam de saudades me fizeram sorrir tanto nesse final de semana. Ignorei tudo o que escutava a minha volta, deixei apenas, elas.

Nelson Rodrigues disse, um dia: “O simples fato de pensar em alguém com amor significa uma felicidade!”

Sim! Então eu me enchi de felicidade nesses últimos dois dias, pois não faltou amor em minhas lembranças. Não faltou amor por você. Não escorreu uma lágrima e não houve um aperto no peito. Mas as mais deliciosas lembranças e pensamentos do tipo: “O que estará fazendo agora…?” Enquanto você acordava, eu pensava. Enquanto você conversava, eu cantava. Enquanto você esquecia, eu amava.

Outono e suas viradas. Fez-me bem. Refletir. Perspectivas, a próxima página, o próximo capítulo. Pensamentos positivos proporcionam sonos mais leves. Deixe estar um pouco mais.

Rosa Amarela

Hoje, Segunda-Feira, dia 12 de Outubro. Dia de Nossa Senhora Aparecida. Dia das Crianças. 49 dias de Itália.

Que a Senhora continue olhando por nossos corações e caminhos. E que nunca me falte Fé para seguir.

Buongiorno!

 Nossa Senhora Oxum 

 

 

 

A Medicinal Firenze

Estar sozinha é uma delícia e essencial. Sozinha de tudo, para conseguir se entender e fazer seus passos a seu tempo. Ir onde quiser ir. Parar quando quiser parar. Minha semana pedia dois remédios: Um para a sinusite e outro para eliminar o estresse. Fui à Firenze matar as saudades e encontrei o que precisava. Da melhor sorveteria à minha praça predileta, perder-me entre aqueles muros é um prazer. Engordar só de olhar para as vitrines das Pasticcerias e deparar-me com pessoas bonitas. Ás vezes, o remédio está mais perto e é bem mais barato do que pensamos.

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Tirei o dia inteiro para mim. O que eu quisesse, eu me daria. Fechei os olhos, sabendo meus limites, mas queria me libertar e não me prender. Almocei um panino delicioso, com o tradicional queijo pecorino. Mas a delícia do dia, foi o melhor sorvete de todos os tempos, na melhor, mais antiga e tradicional Gelateria di Firenze! É uma parada obrigatória, há diversos tamanhos e preços, seja na casquinha, no copinho ou milk-shake. Os sabores são de enlouquecer mas, o que importa, é que você será feliz com o que escolher. Escolhi o de Biscottino, sentei do lado de fora, e o saboreei sem pressa, assistindo a vida acontecer naquela ruela italiana da cidade mais cultural. Estava livre do estresse.

Livrei-me também do mapa, o qual já aprendi a usar perfeitamente. Fui na intuição e na memória visual. Sabia que queria chegar até a Ponte Vecchio então, fui em direção à ela, porém, virando as esquinas que me chamassem primeiro. E foi em uma dessas que encontrei o segundo remédio. Uma Farmácia, com uma atendente muito simpática. Ofereceu-me o que tinha de melhor para a sinusite, sem precisar ser antibiótico com receita. Explicou-me pacientemente como usar e estava dentro do melhor preço. Viva! Agora já posso respirar!

O dia estava agradável e convidativo. Um céu de Outono com um Sol querendo ser Verão! A rua me chamava. Não poderia ter feito melhor.

Chegada na Ponte Vecchio. Uau! Um formigueiro de gente, de todas as idades, cores, idiomas, câmeras por todos os lados e aquela paisagem sendo assediada por todos nós. Vale a luta por um espaço. Valem as horas parada ali na frente, agradecendo, acima de tudo, poder estar ali. Obviamente você pode cruzar a ponte de um lado ao outro e, no trajeto, há joalherias, lojas importantes como Cartier e Rolex, uma mistura de riqueza e tradição.

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Não pensava em ficar muito por lá, quando avistei uma igreja. Por que não, certo? Sempre faz bem e o momento pedia uma oração. Chiesa Di Santa Felicita. Uma igreja da era Romana, quando Marco Aurélio era o Imperador. Minha surpresa? Uma pintura que muito me lembrou São Sebastião sendo flechado. Sabemos que foi flechado em uma árvore e sobreviveu, esse é o milagre. Mas como foi soldado Romano, ainda que a figura esteja diferente, senti que era Ele. Meu Santo! À quem eu havia feito uma oração, naquela manhã, antes sair de casa. Obrigada! Emocionada, acendi uma vela e já não estava mais sozinha. Nunca estamos.

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À caminho da minha praça predileta, a Piazza della Repubblica, aproveitei para conhecer o famoso Porquinho, que fica em uma fonte, nada grande, mas há a superstição de esfregar seu focinho e fazer um pedido! Pode-se jogar moedas, também. Bom, a essa altura, porque não! Cheguei na praça já mais de 17h, o Carrossel mágico estava acesso, ela estava cheia, vozes por todos os cantos. Ali fiquei mais um pouco, após cruzar algumas lojas conhecidas como H&M e Desigual. Estão todas nas ruas do entorno da praça.

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Caminho de volta. Vamos contornando a ponte, é sempre mais bonito. E vem o Sol se despedir. Naquele cenário, aquela luz…Fiquei. Posso pegar o ônibus das 19h, pensei. Sentei na mureta e esvaziei os pensamentos. Então, era ele apenas, o espetáculo da terra. O Pôr-do-sol em Firenze! Não poderia finalizar melhor meu dia, principalmente, porque comi um delicioso tiramissu antes de chegar na estação! Eu falei que me permitiria tudo!

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Firenze. A menina dos olhos da Itália. A cidade que eu pensei que não me conquistaria tanto, hoje, acolheu-me e tornou-se medicinal!

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Chiesa Di Santa Felicita- Piazza Di Santa Felicita

Antica Gelateria Fiorentina- Via Faenza 2a

Ponte Vecchio

Porcellino (Porquinho)- Piazza del Mercato Nuovo

Piazza Della Repubblica

Para mais lugares: siga @nanatrips e suas dicas de viagem! E continue acompanhando meu Mundo Novo!

 

Raios e Trovões!

Raios e Trovões.

Assim fui acordada essa madrugada. Com o barulho do vento, que parecia enfurecido e, o clarão do céu, fazendo a noite tornar-se dia.

Assim fui acordada. Pensando que a casa seria levada. Abri correndo a porta da sacado do meu quarto, para tirar minha toalha que estava pendurada. Há tempos não sentia tamanha força bruta. Uma mistura de beleza da natureza, com medo do que poderia vir a acontecer.

As árvores com seus galhos inclinados soltavam folhas por todos os lados. Não havia visão das montanhas, apenas o céu se revirando em água e trovoadas. Eu já não tinha mais sono. Queria ver até onde iria, se o Sol nasceria ou ficaríamos sob chuva.

Santa Bárbara. Iansã. Oyá.

Sim. Valei-me minha Mãe. Foi na Senhora que pensei no primeiro instante em que ouvi os gritos do vento e vi o raio riscado no céu. Madrugada de Quarta-Feira. Veio forte, veio guerreira. Eu pedi a benção, antes de qualquer coisa. Pedi por sua proteção e agradeci. Depois de tanto chamá-la e de outros sinais no meio dos dias corridos, a Senhora aparece “desenhada” em minha janela, mostrando que escuta meus pensamentos e sente minha aflição.

Já me disseram muito: “Cuidado com o que solta no vento, ele tem ouvidos…” E tem mesmo. Seja qual for sua crença, o Universo nos escuta a todo segundo. E seja qual for seu pedido e desejo, quando se tem Fé, os sinais surgem. Confia. A força da natureza é a maior prova de que há algo muito além de nós. Muito mais forte. E muito mais presente do que podemos imaginar.

Há também quem irá dizer que foi apenas uma coincidência. Chuvas torrenciais acontecem em todos os lugares. Com certeza. E estamos nessa época. Mas eu acredito que nada é por á caso, nem os fenômenos naturais. E acredito também que, algumas das respostas que precisamos, vem nessas situações. Abra a janela do seu quarto, agradeça à vida, dê Bom Dia ao Sol! Vibre coisas positivas e esteja aberto para receber o que vier. Grite de nervoso! Chore! Solte toda sua frustração e raiva. Não guarde dentro de você, devolva para a terra que, de madrugada, ela virá feito um tornado, lavando tudo e trazendo um novo dia!

A Toscana agradece sua chuva e sua força! E eu também!

Eparrei!

Amém!

Santa Bárbara-Iansã

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