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“E para onde você quer ir, darling?”

“Não sei para onde, Amêndoa…Pra onde tenha um espaço profissional pra mim. E encontre respeito e dignidade para exercer minha profissão.”

É, talvez seja apenas isso que procuramos. Um espaço profissional digno e, também, um lugar para morar onde possamos ser tratados como cidadãos. Um lugar que valha nossas lágrimas de saudades e esforços por novas oportunidades. Quem sabe, o lugar, onde viveremos aventuras de amor e criaremos um filho. Saímos de casa cheios de cansaço de decepções e excitados pelo o que podemos encontrar em um novo pedaço de terra.

Nos aventuramos, sozinhos ou acompanhados, estrada a fora. O futuro cego. O famoso voo no escuro. Não nos importamos em sermos nômades ou em carregarmos nossa vida dentro de uma mala, como Nitsch fazia. Afinal, tudo o que nos é necessário deve caber em uma mala, apenas e, dentro de nós. A arte do desapego. E da coragem. Sim, porque na hora de partir, somos 80% vontade e coração, o resto, vamos pegando pelo caminho.

Vale tudo em nome dessa realização de ser e estar melhor. Da legalização de um visto à vida clandestina, somos sonhadores em busca de um lugar ao Sol. Ou à sombra. É uma busca incansável. Como retirantes, mudamos de um canto ao outro, se preciso. Nos adaptamos, nos encaixamos, nos permitimos. Tudo pode mudar e, muda, a cada segundo. A paisagem, o idioma, os pensamentos, as ideias mas, há uma pergunta que pode importunar por muito tempo: O que estou fazendo de fato? O que estou fazendo por mim? O que eu quero? Não os outros, eu!

Tenho me perguntado muito isso, desde que cheguei aqui. A cada dia que passa, sem trabalho, sem notícias da documentação da minha cidadania, eu me pergunto: Por que? Até quando? A culpa é do Brasil, que me expulsou, por conta da situação atual ou minha, que sou levada por um espírito aventureiro e desafiador? Será que devo chamar de culpa? Pergunto-me também se estava preparada para tantas questões e invasões internas. Meus monstros a solta, vozes ao pé do ouvido…SILÊNCIO! Preciso ME escutar!

Cheguei ao ponto da escolha novamente. Talvez mudar. Ficar aqui mais um pouco. Não dá. Não sei. Preciso de tempo, mas o tempo não espera, ele passa, hoje já é domingo e 41 dias de Itália. Há quem diga que eu seja forte e corajosa. Mas atualmente, sinto-me como uma boneca de porcelana. Eu não encontrei meu lugar, ainda. Isso pode levar tempo. Mas eu sei exatamente o que eu quero, hoje. E isso é muita coisa.

Encarar sozinha tem sido muita coisa.

Com um copo de vinho na mão- sim, copo, aqui em casa não há taça- deixo-me levar por todos os meus medo e gritos. Que bom que sempre há ouvidos para me acalmarem. E uma boa música. A enxurrada de sábado veio desaguar no domingo. Dormi demais. Pensei demais. Bebi demais. Melhor assim. Melhor respirar essa chuva em minha janela e me refazer para amanhã. E, quem sabe, com boas notícias!

Namastê!

 

 

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