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Sim, eu morri um pouco por dia.

A cada segundo de tensão, a cada mau humor, a cada grito interno e discussão provocada em família, pois precisava de atenção. Precisava de uma certeza: que a solução viria.

Morri sim, um pouco, todos os dias. De saudades, de frustração, de preguiça. Por conta de cada pensamento desesperado, por cada nervoso e só de imaginar o que seria no dia seguinte. Tudo de novo.

Não precisei me atirar de janelas ou pontes. Eu me matava no inconsciente, no interno. Renascia todos os dias feito uma Fenix. Renascia dos meus próprios sentimentos e torturas.

Todo dia, apesar do desequilíbrio, havia a sabedoria da escolha. Continuar e sempre. Não caia. Não desista. Nem que para isso seja necessário morrer um pouco por dia. Morre-se de amor então, porque não, também, de alegria. Em algum momento matarás de vez o que está hoje te matando.

Nos últimos dias de Itália senti-me como nos últimos dias de trabalho, no Brasil. Quando eu chorava durante o caminho. Chorava de estresse, de raiva, de vontade de ir embora. Feito uma criança que não quer ir para a escola, eu chorava dentro do carro e me fortalecia para encarar mais um dia. Até que decidi sair e mudar o rumo.

Assim foram as últimas duas semanas. Não pela Itália, que é um dos lugares mais belos e românticos que já estive. Mas por todo o peso que eu já estava acumulando e carregando sozinha; Por toda a ferida que não fechava, já estava desgastada, não aguentava mais as mesmas paredes e estradas. Eu precisava do conhecido. Um rosto, uma voz, um abraço que fosse…Aquela liberdade acorrentada aos meus pés, minha nova Pátria que me matava um pouco todos os dias.

Eu precisava seguir e ver pessoas.

Qualquer lugar que eu tivesse um abraço conhecido eu chamaria de Lar. Por a caso, ou não, foi a Terra da Rainha.

“Venha!”

Escutei.

Pousar em Londres foi um alívio. Depois de toda a saga, foi quando eu pude colocar o escudo no chão. Pronto. Respira. Você chegou.

“Estou em casa!”

E estou mesmo, de uma certa maneira. Aqui eu tenho o novo conhecido. Eu tenho o colo. Eu tenho voz.

A saudades do Brasil sempre existirá e, ela será meu impulso e o leão que matarei por dia. Mas acordar e estar onde eu tanto queria é a Benção dos Céus!

Estava morrendo de saudades de você. Da sua música. Do seu carinho.

Estava morrendo de vontade desse lugar!

Mundo Novo de Novo…London!

London

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