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Beethoven, do qual eu sou muito fã, chegou em Viena por volta dos 20 anos de idade com a certeza do que queria naquela aventura. Levou consigo um princípio:

“Faça o bem onde puder, valorize a liberdade acima de tudo e nunca negue a verdade nem mesmo diante do trono.”

Eu, aos 30 anos, saí de casa apenas com uma certeza: tentar realizar uma vida em algum novo lugar. No momento, o lugar onde quero estar é exatamente onde estou: Londres. Hoje, é a minha casa. Amanhã, chi lo sa.

E isso não é um problema, de jeito nenhum. Mas a medida que os dias passam e a realidade começa a acontecer a nossa volta, em diferentes cantos do mundo então, a cabeça pode pirar. Não bate a dúvida mas sim, a confirmação da certeza. Por ter escolhido estar aqui hoje, o que estou perdendo lá, amanhã.

Que diferença minha presença faria, onde minha dor diminuiria ou meu olhar poderia ajudar. A vontade imensa de estar em todas as situações e, ao mesmo tempo, trancada dentro da concha. Acontece que a concha não é blindada contra a realidade e aí, pode ter o oceano que for no meio, que as emoções baterão na porta. Precisa ser muito frio e racional para ignorar. Não é meu caso.

Prefiro o tormento das horas do que o vazio da Paz.

“Viva o lugar”, disse-me uma amiga.

“Faça da cidade a sua casa e não apenas um lugar de morar.”

Ontem, antes de sair, pensando nisso tudo, eu pedi á Londres que me fizesse sorrir. Ela fez. Londres sendo Londres-cinza e chuvosa- fez-me sorrir e fez-me parte dela. Não houve caminhos errados. Houve uma liberdade de ir e vir. Solta. Sozinha. Paquerando minha escolha.

“Caraca Amandinha, olha onde você está! Em Londres, você conseguiu! Em Londres, sem passagem de volta, podendo ficar o tempo que desejar. Podendo ir e vir nessa Europa o quanto quiser.”

Pausa…SANTO CIELO!!!

Eu moro aqui!!!

No meio da Picadilly Circus, toda iluminada com sentimentos Natalinos, olhei para o Céu escuro e com Lua- ás 16:30 da tarde- e gritei: Sim! Aqui estou eu entregue de Alma e Coração!

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Meu lugar. Minha cidade. Minha casa.

Onde eu farei as horas acontecerem. No frio. No escuro. Na chuva. Com amor. Na Primavera. Com as flores. Com amigos. Nas fronteiras. Em diferentes idiomas. Não importa. O passado entendeu seu posto. As emoções começam a equilibrar-se. O susto é sentir-se bem demais. Leve demais. Feliz demais. Livre demais.

Tudo demais.

Eu não sei o que será amanhã. Mas nesse segundo, escrevendo, eu sei que estou adorando essa sensação.

Vivendo minha cidade. Vivendo minha escolha. Amando a vida.

E com o princípio do mestre dentro do peito.

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O frio nunca me incomodou, anyway! 🙂

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