Acostumada do Prazer à Dor

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Sozinha na multidão. É como sinto-me muitas vezes. Londres é magnífica em todas as suas qualidades e defeitos. Mas é dos lugares mais solitários que já morei. E não por você não ter companhia, mas porque a atmosfera traz isso. O inverno piora esse feeling, claro. Não é nada que te mate fisicamente, mas mata mentalmente. E se a sua cabeça não estiver no lugar, facilmente, você entra em sua concha e esquece de viver.

Não quero esquecer de viver, principalmente nesse lugar. Se eu sempre soube driblar a loucura de SP, como não saberei driblar a individualidade Londrina. Nada disso é um bicho de sete cabeças mas, dependendo a quantas anda sua mente, isso torna-se um grande obstáculo. Lidar com você mesmo. Ainda que rodeada de pessoas, festas, risadas…Ir para a cama sozinha e dar boa noite aos Espíritos pode fazer você adoecer.

O apartamento já não está mais silencioso. A turma do Brasil chegou. Da cama de casal ao colchão no corredor, é onde eu moro agora. Well, por alguns dias, até ocupar um novo apartamento. Salva por amigos!

A sala que testemunhou minhas risadas e conversas, por tantas madrugadas, agora tem malas, colchões e cobertas. Há novas vozes e gostos. Pensamentos e opiniões. E o que eu chamo de lar, eles chamam de mundo novo.

Há 4 meses fora do Brasil, praticamente sozinha, parece que eu tinha esquecido o que era essa “bagunça” boa. A ânsia por coisas novas, por conhecimento e tudo mais! E a diferença entre já ser uma viajante e um aprendiz. Entre vir e fazer tudo sozinha e, estar em família. Eles estão em família. Eu estou agregada mas, ainda sou eu apenas. Sozinha.

Ontem, antes de sair, comecei a preparar meu café da manhã, como todos os dias. Comi na cozinha mesmo, já que sentar no chão da sala não era mais possível. rs Alguns já estavam prontos mas, não estavam comendo e nem movimentando-se para isso. Então perguntei:

“Vocês não comem de manhã?” A resposta: “Comemos! Mas é que a gente espera pra comer todo mundo junto. Família mesmo!” Minha expresão mudou. Aí veio o complemento:

“É que você acostumou a comer sozinha nessa sua vida na Europa…”

Oh My God! I did!

Eu acostumei a comer sozinha não, eu acostumei a estar sozinha!!!

Eu não aprendi a estar/ser sozinha, eu acostumei, porque dentro da escolha que eu fiz, era o que tinha para o momento. E de repente, o que já estava organizado no lugar “acostumada”, entrou como uma porrada no estômago! Minutos depois, estavam todos na mesa, comendo juntos. Eu saí para meu compromisso pensando e falando alto, comigo mesma, sobre isso.

Não negarei que escorreram-me lágrimas pois, é isso o que acontece quando vivemos nossa própria vida. Entramos em nosso trilho e não percebemos como nos adaptamos a certas coisas. O que é até uma bobagem, pois no Brasil eu também tomava café sozinha, já que em casa temos todos horários diferentes. Mas quando eu enxerguei a situação como ela é, veio toda minha trajetória desses 4 meses que, mais parecem 5 anos.

Aquariana adaptável. Aventureira como o ascendente em Sagitário. Filha de Santos Guerreiros mas, que caiu do cavalo ao escutar uma frase tão simples e tão significativa.

“Cuida da cabeça. Não importa o que aconteça, esteja bem dentro de você. Pois senão, facilmente, a cidade te engole.” Disse uma amiga.

Sim, eu sei. Mas o mais difícil já aconteceu: acostumei a estar sozinha. Será que eu acostumo a estar em coletivo novamente? Será que essas emoções voltarão a fazer diferença? Em tão pouco tempo eu já estou adorando minha individualidade e achando normal…?

Não pode ser…

Na mesma tarde meu pai envia uma msg perguntando se estou bem. Perguntei: “Defina “estar bem”.

Ele respondeu: “Estar bem é estar vivo, andando, pensando, podendo criar e realizar dentro das nossas oportunidades…”

Bom, pensei, então estou parte bem, pois estou viva e andando. E vou falar que isso já é bastante dentro das minhas condições atuais. Algumas emoções já não fazem mais tanta diferença ou não são tão importantes agora. Triste? Fria? Realista? O que estou me tornando?

Ou: o que estou acostumando-me a ser. Seja o que for, que minha essência não morra jamais. E, se houver aqui dentro algum Amor, que ele salve-me diariamente de qualquer possível depressão.

Há um amigo que diz que não são as doenças que nos matam, mas sim as nossas emoções.

Mas o que não mata fortalece…

Incomodada com esse sentimento Natalino. Incomodada com meu crescimento. Incomodada com o que essa cidade cinza me causa. E acostumada a tudo isso.

Eu amo você Londres. E eu espero que me ame de volta.

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2 Comentários

  1. Camila

    manenha, o bom de ler aqui é perceber que a cada dificuldade, saem de você reacoes maduras, sensíveis e de um auto conhecimento incrível. tenha certeza de que todas as palavras, todos os sentimentos, todos os segundos que voce vive, tem um pq! e sempre um pq positivo!

    e olha, sozinha nunca…do outro lado do oceano tem alguem que, se o facetime chamar as 04 da manha, te atende e te escuta!

    amo vc!!

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