Mês: janeiro 2016

Um tempo entre Você e Eu

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Ás vezes venho até aqui olhar para você apenas para lembrar-me que estou em sua terra. Para sentir sua força e seu poder. Sua presença que atrai multidões mesmo debaixo de neve.
Fazia tempo que não nos víamos e que eu não escutava sua voz anunciando meu tempo.

Estivemos em guerra e falamos coisas demais uma à outra. Você e sua fria praticidade de levar os dias. Eu e meu romantismo e sensibilidade de ver a vida. Enxergar o clarão em meio à seu cinza requer muito esforço e energia.

Escondi-me em seus cantos, sozinha, para fingir que entrava em seu percurso. Transitava por ruas desconhecidas e evitava olhar para os lados dentro do metrô. Mas a verdade é que algo está pendente. Não estamos nos entendendo ainda. Também não sei se precisamos. Basta nos respeitarmos. Como um amor desgastado ou relaxado.

Há um coração solto, talvez perdido, em meio as fronteiras. Mas, de frente para você, dono das horas e pontual, lembro-me de onde estou, da onde vim e para onde vou. Lembro-me de ‘estar’, de escolher e de ser. Alguém ou simplesmente você.

Fico feliz em ver-te. Em cruzar sua ponte e sentir-me cuidada. Consegue ver-me de todas as pontas.

“Eu amo esse lugar, Meu Deus…Olha pra isso! Há cores nessa noite fria! Sua grandeza me fascina!”

Não!!!

Ouviu isso?! Meu pensamento falou alto demais! Jamais deve confessar um amor desse jeito. Jamais deve-se declarar descaradamente. Relaxei demais. Agora perdi a razão. Você irá abusar de mim e brincar com meus sentimentos, feito homem que sai com nosso sorriso nas mãos e não olha para trás.

Entreguei-me e escutei seu badalar.

Querida Londres, é amargo isso que eu sinto. Já não sei onde vamos parar. Precisamos de um tempo. Tempo. Peço, de frente para você, dono das horas. Tempo.

Precisamos nos separar por uns dias. Eu sentir sua falta e você a minha. Pensarmos em como estamos nos tratando. Seus olhares distantes e minha imaturidade. Nossa falta de paciência e até de sabedoria.

Perdi a cabeça, perdi o rumo…Estou perdendo-me de você. Estou presa no que deveria deixar-me livre. Cruzarei a fronteira em busca de paz e equilíbrio.

Trairei-te honestamente nos braços quentes de outro inverno. Faremos sem mentiras. Eu vou. Mas volto. Para você eu sempre voltarei. Seriamente ou não, aqui dentro, há um lugar que é só seu.

Conhecerei outros cheiros e sabores. Terei abraços e vozes conhecidas. O colo que, por enquanto, você não pode me dar. Amarei sim outro alguém e lugar. Mas não se desespere, você também poderá espalhar-se por aí e experimentar outros corpos. Não precisamos gritar e nem darmos as costas. É apenas um tempo.

Há um festival de luzes em suas principais paredes. Há um festival de emoções internamente.

Saio das cores ao branco e preto em segundos. No estalar de dedos. Livres. Como amor e ódio.

Acredito que tenha reagido bem. Sua voz, mais uma vez, anunciando meu tempo. Toca-me. Estamos leves.

Agora falta pouco.

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Nossas Fronteiras são ali na Esquina

Sim amiga, você está certa.

Nós não precisamos e, nem merecemos, passar por isso que estamos passando. Temos casa, família, aconchego e, porque não dizer, conforto. Somos moças finas, temos bom gosto, cultura e apreciamos bons lugares.

Mas acontece amiga, que ao invés de criarmos raízes, nós desenvolvemos asas. E estas, por sua vez, ficaram grandes demais e, sem que percebêssemos, já estavam nos levando mundo a fora.

Sim, nós não precisamos desse frio e nem dessa distância. Da falta frequente de abraços e de olhares compreensíveis. Mas é o preço que pagamos para termos essa liberdade sem limites, os horários sem controle e a vida regida por nós…E por nós, apenas.

Não se preocupe que isso não será para sempre. Nada precisa ser para sempre. O ‘para sempre’ é muito tempo. Façamos valer o momento. O clássico aqui e agora, onde está nossa felicidade e até tristeza. A felicidade do desapego, das descobertas e da intensidade. Fugir não adiantará. Já te contei que a bagagem interna nos acompanhará diariamente, seja onde for? Sim, ela também possui fascínio por viajar. Nós devemos é reciclá-la e não amarrá-la.

Eu sei que não tem sido fácil. Aqui também está tudo cinza e calado. A neve ameaça chegar e, apesar das risadas no trabalho, algumas partes estão vazias. Tenho tido medo do meu silêncio. Na verdade, tenho tido medo de gostar demais dele. Porque cansei de esperar pelas expectativas. Faça o mesmo.

Não fique assim, desolada. Isso passa. Lembre-se que somos adaptáveis e não morremos por amor. Lembre-se que nossas relações mais profundas, hoje, são com nossas cidades e ruas. E com nosso interior. Para ficarmos bem basta acreditarmos nisso.

Querida vizinha tudo dará certo. E quando sentir-se perdida olhe a sua volta. E não esqueça que, nossas fronteiras, são logo ali na esquina. Você não está sozinha.

Em poucos dias estarei aí para nosso café europeu.

Beijos,

Amanda

Madrid

Meu Eterno “Cara” do Labirinto

David Bowie

Lembro-me de assistir ao filme Labirinto repetidas vezes ao longo da minha infância. Não sei exatamente por qual razão mas, ele me impressionava. O tal “Cara mal do Labirinto” despertava em mim um medo e um encantamento. Eu não conseguia desligar a televisão. Preferia lidar com aquela sensação até o final. E mesmo sabendo o final, a sensação acontecia.

Eu tinha por ele-personagem- uma espécie de encanto platônico. Eu era apenas uma criança e ele o belo mago com quem eu entraria naquele labirinto. Eu sabia que ele era mais do que aquilo. Suas músicas tocavam no som do meu pai. Mas eu não conseguia entender como um cantor podia, também, estar em um filme. Cabeça de menina, aquela idéia não era certa. Hoje, como alguém que faz e ama arte, entendo que em nossos leques artísticos podemos colocar o que quisermos

E o Bowie fez isso com delicadeza e perfeição.

Confesso que não conheço todas as suas músicas e muito menos cresci em sua geração. Mas ele era o exemplo de artista admirável. Ousado e autêntico, revolucionou com sua música e seu olhar. Parecia não ter medo de suas próprias mudanças.

Bowie foi artista de verdade e não apenas alguém “famoso”. Imagino que tenha sido uma pessoa bacana também.

Que pena. Que pena que o mundo ficou pequeno demais para você. É inacreditável e triste ver como temos perdido os ‘grandes’. Seja no teatro, no cinema, na música.
Porque o tempo não pára pra ninguém. Recebi essa notícia logo pela manhã, ao chegar no trabalho. Disse-me minha mãedrasta:

“Você viverá de perto as homenagens para ele aí em Londres. Não que seja algo feliz mas, é uma experiência…”

Sim. Uma experiência que não terei como evitar, assim como todas as outras que tenho vivido aqui. Londres traz isso em seus muros e calçadas. Cada bairro há um nome, um sorriso ou uma lágrima. E hoje, há flores aos seus pés no muro em Brixton. E haverá as saudades no coração de cada um.

A cidade está mais fria e pálida. Os jornais da manhã rapidamente foram susbstituídos e, agora, final de tarde, você ocupa todas as capas. Londres perdeu um filho. E a sensação é de que o resto de nós, perdeu um irmão.

É. Acho que fui tocada.

Daqui direto para as estrelas…David Star!
Meu eterno “Cara” do Labirinto.

“There’s such a fooled heart Beatin’ so fast
In search of new dreams.
A love that will last
Within your heart.
I’ll place the moon
Within your heart.”

(As The World Falls Down- David Bowie)

Mural Brixton Bowie

Feliz 4 anos afilhada encantada!

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Eu não pedi para ser tia. Não achei a ideia mais agradável quando recebi a notícia de que você estava a caminho. Pensei em tudo de pior: o mundo está perdido, para que mais uma criança; Vocês não tem condições de criar; criança é gasto e vocês acabaram de se conhecer. Todas as críticas vieram á minha mente e saíram pela minha boca. Sem pensar. Ou, na verdade, pensando até demais.

Mas poxa, era o bebê do meu irmão. Seria meu sobrinho. Onde estavam minhas palavras de apoio e carinho?

Racional demais naquele instante. Não era eu.

” Deixe de tentar entender, amiga, para sentir o coração mais perto!”

Palavras doces de quem havia passado pela mesma situação anos antes.

Quando escutei seu coração bater, pela primeira vez, através do ultrassom, entendi perfeitamente as palavras da minha amiga e entreguei-me para aquela vida que estava ali. Já não importavam mais as dificuldades que viriam e nem se, no fundo, eu era contra ou a favor da situação. Você era o que importava. E eu era a seu favor.

Minha nina menina. Há 4 anos você nasceu e eu estava longe, assim como estou hoje. Mas lembro-me exatamente onde eu estava, a roupa que eu usava e todas as lágrimas e sorrisos que misturavam-se cada vez que uma foto chegava via celular. Eu queria gritar para o mundo inteiro escutar: “Chegou minha sobrinha! Agora, o mundo pode acabar em amor!”

Contei os dias para te conhecer. Te protegi de azul e rosa e imaginei seu rosto durante meses. Imaginei como seria nosso primeiro encontro ou, talvez, nosso reencontro. Em meus braços, pela primeira vez, você dormia mas segurou em meu dedo com sua leve força e sorriu de lado. Pronto. Éramos eternas á partir daquele momento. Havíamos nos reconhecido.

Você ocupou todo o espaço da família e as rotinas de cada um. Eu “perdi” meu quarto para você, a atenção dos meus pais-avós corujas- e meu coração. Mas, entre tantas coisas, ganhei o presente em ser sua madrinha e escutar sua vozinha de anjo gritando: “Diiinndaaa!” Impagável sensação!

Sempre escutei que criança é tudo de bom e uma renovação em nossas vidas. Não nascem por á caso. Você é a maior prova disso. Nossa família, imperfeita em seu jeito de amar e lidar uns com os outros, uniu-se cada vez mais ao seu redor. Para te ver aprender a andar, escutar suas primeiras palavras, fazer farra e esmagar sua primeira coxinha no aniversário de 1 ano.

Você veio com a lição do amor incondicional e da leveza da vida. Trouxe a infância de volta mostrando que a felicidade é o agora e nos ensinando a acreditar em todas as magias, princesas e bruxas. Nossa realidade, que andava meio cinza, tornou-se colorida. O chão da sala cheio de brinquedos e até os cães aprenderam a dividir seus beijos.

Minha charmosa capricorniana. Minha afilhada encantada. Minha cara.
Quantas saudades das suas risadas e encenações.

Queria poder estar enchendo-a de beijos nesse segundo.

Feliz Vida minha baixinha mais linda!

‘Feliz’ todos os contos de fadas para você! ‘Feliz’ todos os dias de doces e sabores, vistos através de seus olhos puros e de esperança. ‘Feliz’ toda a nossa alegria e amor em tê-la conosco nesses 4 anos.

O mundo inteiro para você. Tudo o que você desejar, sua fada madrinha estará aqui para realizar!

Eu amo você.

03.01.2016

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Feliz Tudo Novo de Novo…2016!

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“Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo…” CFA

Ah Caio Fernando…Quisera eu ter te conhecido para ter sido sua amante, ainda que apenas em olhares mudos. O que você escreve, descreve o ser-humano. Descreve aquilo que todos nós fugimos e fingimos não termos, nem sentirmos e nem sermos. Mas somos tudo isso e um pouco mais.

Não foi á toa que essa sua frase caiu em minhas mãos no último dia do ano. Pouco antes de sair para ver os fogos, essas suas palavras, que eu já conheço tão bem, me dilaceraram. Meus desejos, para esse novo ano, não poderiam ser diferentes.

Sim. É isso o que eu quero para 2016. Ser dilacerada de amor e pelo o amor. Eu, que estive no fundo do poço e voltei, sei que consigo sobreviver a toda essa dor.

Dilacerada.

Que eu seja dilacerada de amor, de saudades e pelas lágrimas; Pelas novidades, alegrias e todas as incompreensões da vida. Dilacerada pela distância e por tudo o que ela me causa. Por essa Londres-que me trata feito mulher de malandro-quanto mais me judia, mais eu gamo.

Estamos muito robôs, atualmente. O ser-humano tornou-se uma espécie chata e sem graça. Deus me livre dessa desgraça de só querer dinheiro e tvs de gigantes polegadas.

Eu quero fugir do conforto e sentir cada vez mais a minha existência, nua e crua, com tudo o que tenho direito. Já que tenho que passar por essa vida então, que eu passe sendo vivida, observada, desejada…Amada! Deus do Céu! Vamos tirar o chão uns dos outros, enlouquecer nossas mentes, mudar nossos planos, nossos móveis, nossos empregos…Nosso país!

Mudar de opiniões, mudar o canto predileto, a música mais tocada. Jogar pelos ares nossos baús cheios de passado e acúmulos; pecados, culpas e velhos discursos. Vamos soltar as correntes das almas penadas, pois elas também querem a liberdade.

Eu quero poder me entregar sem precisar responder perguntas e justificar ‘porques’, ‘ondes’, ‘até quando’. Quero ser feliz em paz e sobreviver ás minhas emoções.

Então venha 2016 e me dilacere!

Sob a proteção dos meus Santos e com toda a Fé e insistência, já que teve que chegar então…Venha!

Deixe-me em pedaços, faça o que quiser comigo mas não prive-me de amar. Amar o amor de olhares e os de mãos dadas; O distante e o platônico; O que me inspira e o sexo alucinante. O mundo está carente disso, precisamos compartilhar mais. Se eu não me dilacerar de vida então, nada disso valeu.

2015 que passou feito uma ventania-daquelas que quando você percebe já foi- tirou-me do conforto, incomodou-me, jogou-me na esquina e chamou-me para a briga. Desafiou minha coragem e meu destino. Entrei nele com o calor do Rio de Janeiro, pulando onda e de pé direito. Um ano depois, ferida e fortalecida, entro no inverno congelante e cinza de Londres, agora, desafiando o próximo que aqui está.

Que 2016 venha com tudo o que temos direito. Que seja leve em nossos defeitos; Que seja de paz dentro de nossos medos e tormentos. Aqui há uma mulher, ainda meio menina, mas que não vê a hora de começar a viver esses novos dias.

Feliz Tudo Novo de Novo!

Feliz Mundo Novo no Ano Novo!

Feliz 2016!

Dilacerada para você.

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