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“Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo…” CFA

Ah Caio Fernando…Quisera eu ter te conhecido para ter sido sua amante, ainda que apenas em olhares mudos. O que você escreve, descreve o ser-humano. Descreve aquilo que todos nós fugimos e fingimos não termos, nem sentirmos e nem sermos. Mas somos tudo isso e um pouco mais.

Não foi á toa que essa sua frase caiu em minhas mãos no último dia do ano. Pouco antes de sair para ver os fogos, essas suas palavras, que eu já conheço tão bem, me dilaceraram. Meus desejos, para esse novo ano, não poderiam ser diferentes.

Sim. É isso o que eu quero para 2016. Ser dilacerada de amor e pelo o amor. Eu, que estive no fundo do poço e voltei, sei que consigo sobreviver a toda essa dor.

Dilacerada.

Que eu seja dilacerada de amor, de saudades e pelas lágrimas; Pelas novidades, alegrias e todas as incompreensões da vida. Dilacerada pela distância e por tudo o que ela me causa. Por essa Londres-que me trata feito mulher de malandro-quanto mais me judia, mais eu gamo.

Estamos muito robôs, atualmente. O ser-humano tornou-se uma espécie chata e sem graça. Deus me livre dessa desgraça de só querer dinheiro e tvs de gigantes polegadas.

Eu quero fugir do conforto e sentir cada vez mais a minha existência, nua e crua, com tudo o que tenho direito. Já que tenho que passar por essa vida então, que eu passe sendo vivida, observada, desejada…Amada! Deus do Céu! Vamos tirar o chão uns dos outros, enlouquecer nossas mentes, mudar nossos planos, nossos móveis, nossos empregos…Nosso país!

Mudar de opiniões, mudar o canto predileto, a música mais tocada. Jogar pelos ares nossos baús cheios de passado e acúmulos; pecados, culpas e velhos discursos. Vamos soltar as correntes das almas penadas, pois elas também querem a liberdade.

Eu quero poder me entregar sem precisar responder perguntas e justificar ‘porques’, ‘ondes’, ‘até quando’. Quero ser feliz em paz e sobreviver ás minhas emoções.

Então venha 2016 e me dilacere!

Sob a proteção dos meus Santos e com toda a Fé e insistência, já que teve que chegar então…Venha!

Deixe-me em pedaços, faça o que quiser comigo mas não prive-me de amar. Amar o amor de olhares e os de mãos dadas; O distante e o platônico; O que me inspira e o sexo alucinante. O mundo está carente disso, precisamos compartilhar mais. Se eu não me dilacerar de vida então, nada disso valeu.

2015 que passou feito uma ventania-daquelas que quando você percebe já foi- tirou-me do conforto, incomodou-me, jogou-me na esquina e chamou-me para a briga. Desafiou minha coragem e meu destino. Entrei nele com o calor do Rio de Janeiro, pulando onda e de pé direito. Um ano depois, ferida e fortalecida, entro no inverno congelante e cinza de Londres, agora, desafiando o próximo que aqui está.

Que 2016 venha com tudo o que temos direito. Que seja leve em nossos defeitos; Que seja de paz dentro de nossos medos e tormentos. Aqui há uma mulher, ainda meio menina, mas que não vê a hora de começar a viver esses novos dias.

Feliz Tudo Novo de Novo!

Feliz Mundo Novo no Ano Novo!

Feliz 2016!

Dilacerada para você.

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