Um tempo entre Você e Eu

0 Flares 0 Flares ×

IMG_0173[1]

Ás vezes venho até aqui olhar para você apenas para lembrar-me que estou em sua terra. Para sentir sua força e seu poder. Sua presença que atrai multidões mesmo debaixo de neve.
Fazia tempo que não nos víamos e que eu não escutava sua voz anunciando meu tempo.

Estivemos em guerra e falamos coisas demais uma à outra. Você e sua fria praticidade de levar os dias. Eu e meu romantismo e sensibilidade de ver a vida. Enxergar o clarão em meio à seu cinza requer muito esforço e energia.

Escondi-me em seus cantos, sozinha, para fingir que entrava em seu percurso. Transitava por ruas desconhecidas e evitava olhar para os lados dentro do metrô. Mas a verdade é que algo está pendente. Não estamos nos entendendo ainda. Também não sei se precisamos. Basta nos respeitarmos. Como um amor desgastado ou relaxado.

Há um coração solto, talvez perdido, em meio as fronteiras. Mas, de frente para você, dono das horas e pontual, lembro-me de onde estou, da onde vim e para onde vou. Lembro-me de ‘estar’, de escolher e de ser. Alguém ou simplesmente você.

Fico feliz em ver-te. Em cruzar sua ponte e sentir-me cuidada. Consegue ver-me de todas as pontas.

“Eu amo esse lugar, Meu Deus…Olha pra isso! Há cores nessa noite fria! Sua grandeza me fascina!”

Não!!!

Ouviu isso?! Meu pensamento falou alto demais! Jamais deve confessar um amor desse jeito. Jamais deve-se declarar descaradamente. Relaxei demais. Agora perdi a razão. Você irá abusar de mim e brincar com meus sentimentos, feito homem que sai com nosso sorriso nas mãos e não olha para trás.

Entreguei-me e escutei seu badalar.

Querida Londres, é amargo isso que eu sinto. Já não sei onde vamos parar. Precisamos de um tempo. Tempo. Peço, de frente para você, dono das horas. Tempo.

Precisamos nos separar por uns dias. Eu sentir sua falta e você a minha. Pensarmos em como estamos nos tratando. Seus olhares distantes e minha imaturidade. Nossa falta de paciência e até de sabedoria.

Perdi a cabeça, perdi o rumo…Estou perdendo-me de você. Estou presa no que deveria deixar-me livre. Cruzarei a fronteira em busca de paz e equilíbrio.

Trairei-te honestamente nos braços quentes de outro inverno. Faremos sem mentiras. Eu vou. Mas volto. Para você eu sempre voltarei. Seriamente ou não, aqui dentro, há um lugar que é só seu.

Conhecerei outros cheiros e sabores. Terei abraços e vozes conhecidas. O colo que, por enquanto, você não pode me dar. Amarei sim outro alguém e lugar. Mas não se desespere, você também poderá espalhar-se por aí e experimentar outros corpos. Não precisamos gritar e nem darmos as costas. É apenas um tempo.

Há um festival de luzes em suas principais paredes. Há um festival de emoções internamente.

Saio das cores ao branco e preto em segundos. No estalar de dedos. Livres. Como amor e ódio.

Acredito que tenha reagido bem. Sua voz, mais uma vez, anunciando meu tempo. Toca-me. Estamos leves.

Agora falta pouco.

IMG_0182[1]

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×

Anteriores

Nossas Fronteiras são ali na Esquina

Próximo

Do cinza de Virgínia às cores de Garcia

2 Comentários

  1. Myrian

    My dear!
    Acompanho desde o início e posso seguramente afirmar que esse relato é sem sobra alguma de dúvida o seu melhor relato. Sua melhor entrega. Nas entrelinhas você expressou muito mais do que possa imaginar.
    So proud!
    Aos poucos seu lugar nesse mundo cinza formará o que buscou.
    XoXo

    • Amanda

      Amiga querida! Estou emocionada com esse seu comentário…Até re-li o post e, confesso, mexeu comigo…Não sei da onde vem tudo isso, mas que bom que está saindo! Muito obrigada! Em suas palavras eu acredito! E que assim seja…Que meu lugar me encontre! Love, xoxo <3 🙂

Deixe uma resposta

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén