Tudo Novo De Novo

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Parece que nada aconteceu. Como se eu simplesmente tivesse surgido aqui hoje, assim, do nada. O vazio vem ao meu encontro. As páginas foram viradas, talvez até arrancadas, queimadas. Já não lembro de certas datas mas, lembro de todos os choros. Não chegaram a deixar cicatriz mas, deixaram leves marcas para que eu nunca esqueça que um dia estive lá…No fundo e voltei. E ainda que eu olhe para trás noite a dentro, sei que sempre conseguirei voltar.

Três meses passaram feito o vento. Não despercebidos, eu senti cada hora desses 90 dias. Todos os risos e amarguras; todas as depressões e Fé. Mas passaram com tudo o que tinham direito. Atropelaram-me e colocaram-me de pé novamente. Esmagaram meus sonhos mostrando a realidade diária. Fizeram-me amar e odiar Londres de uma ponta a outra. Surpreenderam-me. E de tudo o mais difícil: mudaram o roteiro da história.

Reescrevo.

Três meses depois e aqui estou novamente. Abro a porta do apartamento, agora vazio. Escuto o silêncio. Algumas coisas estão fora do lugar. Eu estou. Estava. Não tenho certeza ainda. Esse copo, por exemplo, não era aqui. E a mesa também mudou. As plantinhas não resistiram ao frio da estação- e nem a lotação. Tudo bem, planto outras quando a cidade tiver cores e luz. Se essas paredes pudesse falar…Talvez eu me sentisse menos sozinha. Quantas coisas que só elas sabem.

Três meses. O mesmo coração. A mesma estação. Tinha escrito em minha tela como seria quando esse dia chegasse. Onde eu estaria trabalhando, como seria minha rotina, quantos sorrisos eu daria ao longo do dia. Mas, como tudo que se planeja na vida, muito aconteceu do avesso. Incrivelmente Londres traz a mesma sensação que SP. Alguns dizem que é o fato de ser cidade grande. Concordo. Mas eu digo, também, que é falta de amor. Ao menos no frio. As pedras não são muito amorosas mesmo.

Melhor abrir as janelas e acender um incenso. Não sei, ainda, se esse peso sou eu, a cidade ou esse chão. Seja o que for, dá porta para fora. À partir de hoje compartilho esse espaço comigo apenas…E meus monstros pessoais. Tudo bem, neles eu ainda posso confiar.

Tenho dúvidas quanto a essa vista. Que diferença faz, não posso mesmo abrir tanto as cortinas. Que bom! Há espaço no guarda-roupa para os casacos. Sim, esse colchão novo é mais alto. Que estranho…Eu não espero ninguém mais chegar.

Subi pelas escadas para fazer menos barulho. O elevador fala e denuncia. Entrei com o pé direito para dar sorte. Fiz todos os desejos-o mesmo desde sempre-que eu sobreviva ás minhas emoções. E então dei de cara com você. O espetáculo mais lindo da terra, mesmo entre pedras. Você, abençoando meu retorno e pedindo trégua. Agora somos nós, apenas nós, de novo.

Minhas roupas saíram de dentro da mala, pela primeira vez, em três meses. E, finalmente, terei um quarto para chamar de “meu”. Não é totalmente meu mas, será pelo tempo que tiver que ser. Eu e você. Não mais o sonho mas, a realidade. Que traga-me alegrias e clareza.

E seja como for…Que seja leve.

Tudo novo de novo…Mais uma vez!

Por Do Sol

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  1. Manenha

    é durante as batalhas internas que nos encontramos, manenha! encontre suas forças dentro de vc e suas respostas olhando pra essa vista maravilhosa.

    to com vc, sempre!
    beijao!

    (L)

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