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E quando o tormento vem assim de repente…Mentira, de repente nunca, ele está sempre ali no canto apenas esperando o segundo melhor para explodir. Fazer você explodir. Silêncio. Muitas vozes, muito barulho. Não precisa ser assim, tão alto.

“Amanda, faça isso; Amanda, faça aquilo; E se você tentasse de outro jeito; Você já foi ver o que eu pedi?! Limpou as mesas?!”

A própria gata borralheira.

“Dont be like a kid, Be nice, be happy, go out, go to work, love, live, breathe, smile…”

AHHHHH enough!

Eis o mais novo muro na minha frente e o mais novo sinal desse coração cigano que vos escreve. Basta, por agora, basta. Não adianta bater e assoprar depois. Meu escudo está no chão. E eu estou cansada. Se eu não posso saltar do planeta então, entro em minha concha feito uma ostra.

Sinto muito, dessa vez só há espaço para um. Eu e todos os pensamentos que me acompanham. Haja espaço. No aperto nos batemos mas, é a única maneira de enfrentá-los. Penso demais e isso nem sempre é bom.

Não aguento mais olhar minhas mãos rachadas e sempre com alguma bolha nova ou queimadura-sim, eu me queimo o tempo inteiro no restaurante como uma criança estabanada.

“Passa creme, usa luva, elas melhoram.”

Elas sim, eu é que não.

Ah e esses ‘nãos’ continuam vindo. Chegando de fininho e pisoteando a esperança, o sentimento de algo melhor.

“Muito obrigada pelo seu interesse mas…Agradecemos sua disponibilidade mas…Não, não, não…!”

É só o que Londres tem me oferecido. Uma vida corrida. Dias sobrevividos. Falta de tempo. E ‘nãos’. ‘Não’ para tudo o que eu sonho. E sim apenas para o que é real: Sou imigrante em sua casa. Eu deveria saber. Madrasta.

A cidade do centro do Universo. Sua arte a solta e todo seu peso cinza enraizado mesmo em dias claros de Sol. Madrasta. As chances abertas, mas você não pára. Você empurra, sai arrastando, atropelando. Não olha nos olhos, não dá colo e ainda manda engolir as lágrimas. Nosso amor é seasonal, chego a conclusão. E não adianta gritar, eles jamais entenderão.

“Paciência e Fé.”

Oi??!

Paciência e Fé.

Escutei em um musical delicioso que fui assistir com um amigo querido.

Eu quis chorar. Eu chorei na verdade.

Paciência e Fé.

Com você e todas as suas escolhas. Com você e todas as suas novas mudanças e caminhos. Não tenha medo de remanejar tudo se assim for preciso. Eu, que penso tanto, nunca havia pensado desse jeito.

“Você é mineira minha filha, garimpa! Há muito o que ser visto e feito!”

Pais. Paz. Será!?

“Esse trabalho é temporário e ele está pagando pelo seu sonho!”

Está pagando pelo meu sonho. Temporariamente. E quando falamos em sonhos lembramos que eles não possuem preço. Todo esforço é válido diante do que desejamos. Não há limites para meus sonhos. Não há limites para mim.

O simples da vida parece muito difícil. E sobreviver tem sido um exercício árduo. Mas algo tem sido. Eu sei. Soa ingrato. Demorado. Injusto. Dolorido até. Mas tem sido. Os olhos andam inchados e a saudades quase violenta mas…Paciência e Fé.

Toda noite, quando deito, fecho os olhos na esperança de abri-los na cama em minha casa, com minhas cachorras deitadas aos meus pés. Eu sei que não acontecerá feito um passe de mágica mas, é gostosa a sensação. Conforta. E me faz dormir.

E após a madrugada virá mais um dia. E cada ‘não’ eu transformarei em um ‘sim’. E a cada cliente eu sorrirei e lembrarei: “paga o sonho!”

E pelo tempo que tiver que ser. Enquanto eu quiser ou até o príncipe surgir. Sem presa. O sapatinho será encontrado.

Paciência e Fé.

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