Mês: abril 2016

Fé Na Primavera

Queria não precisar me preocupar com certas coisas. Pelo menos não a todo tempo. Quando você pensa que o castelo está sendo construído sob controle, vem a onda forte e o derruba. Hora de recomeçar. Acho que é até mais simples do que eu imagino, mas eu nunca saio ilesa.

O problema não está na cidade e nem em mim. Está no entorno. A falta de lugar mesmo quando se está em um lugar. Não é meu se eu não posso decidir a cor da parede ou se coloco plantas na sacada. Não é meu se não posso dizer ‘sim’ e ‘não’. Se não há respeito pela minha palavra e se o dinheiro não paga meu sossego, não é meu. E se a presença não faz diferença então, não tem porque ficar.

Que bom enxergar isso.

Londres vai bem, mas continua gelada apesar de alguns dias de Sol e do horário de verão. Agora temos dias mais longos de frio. Eu vou bem, mas essa semana eu quis o colo dos meus pais. Não sou tão forte assim quando estou sozinha e diante de um penhasco. Saí em busca das flores, hoje, mas a chuva veio e junto o frio e o cinza. Adiei o dia no parque e busquei conforto dentro da igreja. A sensação é maternal.

Escrevo de frente ao Altar da St.Patricks Church. Aqui eu não tenho medo de pensar demais.

Outro dia, um colega no trabalho perguntou-me por que eu estava tão calada. Respondi que estava pensando. Ele não entendeu o que me fazia pensar tanto. Fez parecer como se fosse algo estranho ou perigoso. Talvez seja. Talvez seja desnecessário pensar tanto. Porque é bem verdade que vamos do nada ao lugar nenhum enquanto rodamos nas mesmas questões.

Mas gosto de acreditar que os pensamentos nos movem de alguma maneira.

Penso que ainda tenho Fé nessa primavera, mas devo confessar que o meu castelo foi destruído e não sei se quero reconstruí-lo aqui. Ou agora. É triste ver cair. É triste querer sair quando um dia se quis muito ficar. Mas como uma boa espírita eu sei que nada é por a caso. Por isso, sim, eu ainda tenho Fé na primavera. Fé em mim e no que irei encontrar.

Idade. Fase. Novas verdades.

Hoje eu só quero que termine bem. Amanhã, quem saberá.

Meus Trinta e Poucos Anos

Eles chegam nas alturas sem economizarem risadas.
Quando as vozes gritam mais do que a música, é sinal de que a bebida está na roda.

Mil assuntos e um único propósito:

“Nós queremos beber e nos divertir!”

“Enjoing London!”

Não é preciso motivo para festa. Eles têm 20 e poucos anos.

Trabalhamos diariamente juntos. Eu adoro suas companhias. Adoro esse ambiente. E adoro observá-los. E enquanto eu os observo eu lembro dos meus 20 e poucos anos. Sem culpa e sem arrependimentos. Bom, talvez alguns mas, no geral, anos muito bem vividos. Eu os observo e sinto saudades. Dou risada sozinha das minhas lembranças. Onde eu estava, com quem estava, o que pensava, o que eu sonhava.

A parte que mais me toca, em meio a essa observação, é dar-me conta de que não pertenço mais à essa fase. Como quando saímos dos 19 anos para os 20 e sentimos uma distância enorme e, ao mesmo tempo, aquela sensação de que podemos tudo.

Já escutei diversas vezes que a juventude está na mente e no espírito. E que os 30 são os novos 20. E que eu tenho cara de 20. Concordo, mas convenhamos que há certas coisas que não são tão cabíveis após os 30 anos. Ou será que estou sendo muito radical?

Algumas situações eu já não vejo mais propósito em viver. Como, por exemplo, ir trabalhar virada e de ressaca. Fiz muito isso. Nunca deixei de me divertir, só porque havia trabalho na manhã seguinte. Conciliava a diversão com a obrigação. Pagava o preço mas era válido. Hoje não penso nessa possibilidade.

Não coloco-me mais em situações que não me farão bem. Adoro poder dizer “sim e não” sempre que eu quero. E, inconscientemente eu acho, sempre penso nas consequências do amanhã, antes de qualquer ação. Nem todas as reações eu estou afim de pagar. Primeiro e mais importante sinal de que não tenho mais 20 e poucos anos.

Nessa fase vivemos como se não houvesse o amanhã. Somos intensos, deliciosamente irresponsáveis, sonhadores, livres de alma. E, de tanto acreditar que nada de ruim acontecerá, nos arriscamos até o último segundo para provarmos de que estávamos certos. Nem sempre e nem com todos. Mas essa sensação nos move.

Já são 8 meses fora do conforto onde eu tinha controle. 8 meses que me amadureceram mais do que em 5 anos. E observá-los dia a dia, compartilhar dessa energia e dessa alegria deles- sem limite-me dá mais força para seguir e faz-me voltar a acreditar que, viver com essa intensidade do presente único, pode ser muito gratificante.

Eles não sabem mas, seus 20 e poucos anos têm mudado minha rotina para melhor aqui em Londres. Cada vez mais eu percebo quem sou e o que eu quero de verdade. O lugar a qual pertenço hoje.

Sem medo do amanhã, mesmo que aos 30 e poucos anos.

Droga Londres! Quando saí de casa eu queria ser livre apenas e não madura. rs

“Quero saber bem mais dos meus 20 e…30 e poucos anos!”

Porque Você Sorri Pra Mim

Eu aprendi a falar lendo os seus lábios. Foi segurando em suas mãos que eu dei os meus primeiros passos. Eu não era tão grande assim, mas o Sol sorria pra mim.

Eu vi a nossa vida mudar da noite para o dia. Eu vi a chuva levar a casa que a gente tinha. Tudo parecia tão estranho, mas o Sol sorria pra mim.

Eu não pude escolher entre minha mãe e meu pai. Eu tive que aprender a ter dois lares e dois Natais. Eu não era tão forte assim, mas o Sol ainda sorria pra mim.

Eu cresci te vendo só aos finais de semana. Dormia nos estúdios e ia ao supermercado de pijamas. O apartamento era pequeno mas tudo bem, porque você cuidava de mim.

Era rock n’roll durante o dia. Futebol no clube e o “leãozinho” na hora da despedida. Te dizer adeus era difícil, mas você não se esquecia de mim.

Você me viu chorar, você me viu sorrir. Ensinou-me a sonhar e mostrou o mundo para mim. E foi assim que eu cresci com o Sol, a criança mais feliz.

Meu pai herói, meu pai amigo. Meu pai humano cheio de carinho. Eu sei que não sou a filha perfeita mas tudo bem, porque você sorri pra mim!

Feliz Vida Pai…Eu Amo Você!

🙂

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