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Eles chegam nas alturas sem economizarem risadas.
Quando as vozes gritam mais do que a música, é sinal de que a bebida está na roda.

Mil assuntos e um único propósito:

“Nós queremos beber e nos divertir!”

“Enjoing London!”

Não é preciso motivo para festa. Eles têm 20 e poucos anos.

Trabalhamos diariamente juntos. Eu adoro suas companhias. Adoro esse ambiente. E adoro observá-los. E enquanto eu os observo eu lembro dos meus 20 e poucos anos. Sem culpa e sem arrependimentos. Bom, talvez alguns mas, no geral, anos muito bem vividos. Eu os observo e sinto saudades. Dou risada sozinha das minhas lembranças. Onde eu estava, com quem estava, o que pensava, o que eu sonhava.

A parte que mais me toca, em meio a essa observação, é dar-me conta de que não pertenço mais à essa fase. Como quando saímos dos 19 anos para os 20 e sentimos uma distância enorme e, ao mesmo tempo, aquela sensação de que podemos tudo.

Já escutei diversas vezes que a juventude está na mente e no espírito. E que os 30 são os novos 20. E que eu tenho cara de 20. Concordo, mas convenhamos que há certas coisas que não são tão cabíveis após os 30 anos. Ou será que estou sendo muito radical?

Algumas situações eu já não vejo mais propósito em viver. Como, por exemplo, ir trabalhar virada e de ressaca. Fiz muito isso. Nunca deixei de me divertir, só porque havia trabalho na manhã seguinte. Conciliava a diversão com a obrigação. Pagava o preço mas era válido. Hoje não penso nessa possibilidade.

Não coloco-me mais em situações que não me farão bem. Adoro poder dizer “sim e não” sempre que eu quero. E, inconscientemente eu acho, sempre penso nas consequências do amanhã, antes de qualquer ação. Nem todas as reações eu estou afim de pagar. Primeiro e mais importante sinal de que não tenho mais 20 e poucos anos.

Nessa fase vivemos como se não houvesse o amanhã. Somos intensos, deliciosamente irresponsáveis, sonhadores, livres de alma. E, de tanto acreditar que nada de ruim acontecerá, nos arriscamos até o último segundo para provarmos de que estávamos certos. Nem sempre e nem com todos. Mas essa sensação nos move.

Já são 8 meses fora do conforto onde eu tinha controle. 8 meses que me amadureceram mais do que em 5 anos. E observá-los dia a dia, compartilhar dessa energia e dessa alegria deles- sem limite-me dá mais força para seguir e faz-me voltar a acreditar que, viver com essa intensidade do presente único, pode ser muito gratificante.

Eles não sabem mas, seus 20 e poucos anos têm mudado minha rotina para melhor aqui em Londres. Cada vez mais eu percebo quem sou e o que eu quero de verdade. O lugar a qual pertenço hoje.

Sem medo do amanhã, mesmo que aos 30 e poucos anos.

Droga Londres! Quando saí de casa eu queria ser livre apenas e não madura. rs

“Quero saber bem mais dos meus 20 e…30 e poucos anos!”

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