0 Flares 0 Flares ×

Talvez o Sol tenha demorado demais e eu fiquei branca por muito tempo. Talvez por ser primavera- quase verão- e a temperatura ser a mesma do Brasil onde é inverno nesse momento. Talvez pelo cinza, pela correria ou a falta de tempo. Talvez por tudo isso ou simplesmente nada disso. Pouco importa na hora da decisão e depois de tomada.

Talvez nada Londres. Meu amor por você continua mas, algo me levou de você. Passou. Nosso ciclo, este ciclo. Nossos dias, nossas brigas, nossos sorrisos. Passaram. Minhas descobertas, meu amadurecimento e o sonho…O sonho amargou, secou, cansou junto com o corpo. Sem saber muito o que fazer, resolvi seguir o conselho mais clássico de todos: escute seu coração! Seja lá o que isso signifique- porque honestamente, racionalmente dizendo, meu órgão que pulsa não fala é nada. Nem o seu.

Mas que bobagem e que chatice ser racional nessa vida. Bom mesmo é ser emotiva! Que bom! Viva! Escuto o coração que fala, que pulsa, que sente, que vibra e é cigano! O meu? Demais! Escutá-lo talvez- mais uma vez- possa ser um erro. Mas, não havendo erros e acertos em tais circunstâncias então: um salve para a nova escolha que chegou e já passou, assim que foi definida.

Outro dia, no restaurante onde trabalho, um colega me disse: “Você é artista e esse lugar não te pertence, não é para você.” Na hora pensei: eu sei, é apenas uma passagem. Não me saiu da cabeça essa frase, esse sentimento. Há quase dois anos que saí de casa em busca de um sonho que era tão certeiro, de repente tornou-se outra coisa. Tantas outras coisas e o sonho, sempre lembrado claro, ficou ali no canto. Faltava tempo.

Tem quase três meses que cheguei de férias e, já me parece 5 anos…De novo. Eu adoro sua intensidade, cidade maluca, mas está pesada demais.

Exausta é a palavra que me define atualmente. E quando chegamos a esse nível precisamos sair. Passar pela porta. Pela fronteira. Mais uma vez. Para renovar o amor, pra dar mais cor e ficar morena. Não quero verão pela metade e nem dores no corpo. Não quero ausência das minhas palavras escritas e nem distância dos meus livros. Quero mais vida. Mais ar. Mais segundos sentidos.

Conselho do tal coração, aquele órgão que pulsa. Cigano. Enjoou e quer mais. Tudo novo de novo.

E se tudo no final das contas passa, inclusive nós, o que temos a perder diante de oportunidades ainda que cegas? Planejar para que, se talvez tudo esteja traçado mesmo. Ou não. Mas eu me respeito e o tal do coração. Porque nessa nova passagem eu quero estar bem presente.

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 0 Flares ×