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Partenza Per Londra- Finale

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A chegada ao hotel foi, ao mesmo tempo, tensa e relaxante.

Precisei entrar em contato com minha família no Brasil, para ter certeza de que meu cartão de crédito estava liberado em todo Reino Unido, caso contrário, eu não teria como pagar a diária, já que não aceitavam mais a moeda Euro.

Fiquei tensa nesse momento. O cansaço só aumentava e, junto dele, o mau-humor e o nervoso. Eu só queria chegar. A recepcionista, muito atenciosa, vendo minha tensão, ofereceu-me um café e eu disse sim. Imaginei que ela me traria uma xícara, apenas para me acalmar. Mas não. Trouxe-me um copo enorme de café com leite, daqueles de cafeteria exemplar! Mais um anjo em meu caminho. Ali, foi o primeiro passo para tudo ser resolvido.

Cartão de crédito liberado, ufa! Tenho cama! Agora, vamos remarcar o voo. A comissária da British falou para fazer via site com o número da minha reserva então, vamos lá, não deve ser tão complicado. Assim pensei…Só que não. Após algumas tentativas em vão, meu nervoso aumentou e decidi desistir de tudo, mais uma vez. Isso costuma funcionar. Mesmo estando em um quarto delicioso, eu não conseguia curtir à altura. Oscilava as emoções e só conseguia pensar: ” Se eu não conseguir remarcar, se a neblina em Londres não baixar, como sairei daqui…”

“O máximo que acontecerá será você passar uns dias na Escócia…Nada mal!”

Foi o que mais escutei de pessoas queridas. É, nada mal. Naquele ponto, o que mais eu poderia fazer, senão, relaxar. Eu comentei que o quarto tinha uma banheira?!

Era mais de 1h da manhã quando decidi me desconectar do mundo e dormir. Tentar, pelo menos. Ainda havia muita coisa a ser esclarecida. Internamente, digo. Mas, como diz minha mãe: “Nada como um dia após o outro e uma bela madrugada no meio.” E amanhã, pelo menos, teremos um belo café!

E assim foi. Mas precisava tomar a decisão entre, ir para o aeroporto lutar por um voo e correr o risco de não decolar, devido ao tempo; ou ir direto para a estação de trem e garantir um meio de transporte. Afinal, trem “pousa” na neblina. Fui aconselhada por duas pessoas á ir até o aeroporto e arriscar. E fui guiada até a recepção, na hora certa, para encontrar o que, para mim, foi a razão de tudo isso. Já que nada é por a caso.

Uma senhora de Chicago, USA, que também estava n voo comigo e hospedou-se no hotel, estava indo para o aeroporto, pois tinha conseguido remarcar sua passagem.

“Voce quer ir comigo? Podemos dividir o taxi e acho que voce terá mais sorte em remarcar seu bilhete.” Ela falou.

Pensei: Porque não. Se ela cconseguiu, é porque tem voo e estão decolando. Pode ser um sinal.

“Sim, claro!”

Pegamos um daqueles taxis clássicos, pretos de aparência antiga. Senti-me na historia da Mary Poppins! Um dia frio, porém, lindo! Começamos a conversar. Ela perguntou onde eu ia sozinha com duas malas, o que iria fazer em Londres, o que fazia no Brasil e…

“Você trabalha com o que?”

“Sou atriz e produtora”

“É mesmo? Tenho uma amiga que trabalha com produção de TV em Londres! Vou apresentar vocês. Escreva-me um email! está vendo, não foi á toa que nosso voo foi desviado, nada acontece por á caso!”

Eu sorri. Sorri e pensei: sim! Nada é por a caso e tudo isso acaba de ser explicado! Nos despedimos no aeroporto com a certeza de que manteremos contato. E eu, mais ainda, com a gratidão de tê-la encontrado na recepção, na hora certa. Ela trouxe a solução e a confiança que me faltava naquele momento.

Remarcar meu voo foi mais fácil do que eu imaginava. Se a comissária no dia anterior tivesse passado essa segurança, muita coisa teria sido poupada. Mas tudo bem, nem todas as pessoas estão preparadas e eu, também aprendi que, manter a calma é uma sabedoria. Sempre haverá solução em vida.

Curtir Edinburgo ficará para uma próxima vez. Agora, eu tenho Londres para encontrar!

Finalmente! E mais uma etapa dessa nova vida! Desse meu novo mundo…De tudo novo de novo! Vivendo e aprendendo literalmente.

Autunno e il colori…

Todos os dias, quando acordo, olho para meu celular para ver se há alguma ligação perdida do oficial da Commune. É uma apreensão diária, se eu não mantenho a mente ocupada, me perco em meio a angústia. Quando eu vim pra cá imaginava que seria mais rápido. Claro, o ser-humano e suas ilusões. Mas acontece que estou em uma corrida contra o tempo, envolvendo dinheiro, propostas em outros cantos e tudo amarrado a esse documento. Simples, porém, valioso.

Vontade de gritar ao mundo: Ei! Io sono una Italiana! Il mio diritto! Mas não funciona assim. E eles não parecem se importar.

Não precisa muito para o pensamento ir longe, nessas horas. Basta reparar uma árvore de folhas amarelas, que caem a cada segundo, me lembrando que é Outono!

Ah! O Outono! Chegou elegante e discreto, como as notas de Vivaldi. Chegou cheio de romantismo, mudando o guarda-roupa e a cor do céu. Este, que tem variado entre o azul, com um Sol tímido e o cinza, com ventos fortes e chuva. É, Senhor Outono, feito um Lord de casacos longos, me enche os olhos de amor!

Suas folhas secas, amareladas, caindo pouco a pouco, são o começo da renovação de dias já vividos. O passo para o renascimento. Minha espera, que parece tão longa, virou uma Estação. A minha Estação. Enquanto escuto amigos e familiares falando em calor de 40 graus, no Brasil, aqui começo a desfilar meus lenços, botas e chapéus.

Na alegria de viver minha Estação preferida duas vezes no mesmo ano, peço que essa mesma alegria, acalme o que me aperta o peito. Que essas novas cores sejam minhas novas inspirações.

Bem-Vindo, Senhor Outono! Estou aberta para você!

 

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