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A melhor escolha

“Nós precisamos ser plenos no presente”.

Disse-me minha melhor amiga de infância em seu momento de vida mais difícil: a perda de seu pai. Ela, tão mais racional e tranquila do que eu, não desconfiava como suas palavras invadiam meu peito e me acordavam pro meu ‘momento’. Do outro lado do oceano eu chorei feito criança, pedi perdão pela minha ausência e matei todos os meus problemas ali, naquele instante.

Nada mais é tão importante quanto estar vivo. Eu tive vontade  de pegar todo o dinheiro que me resta e sair pelo mundo- mais ainda. Tive vontade de voltar para a Pátria, o lugar onde eu sei que sempre terei um espaço, e abraçá-la (minha amiga) infinitamente. Tive vontade de ligar para o homem por quem sou apaixonada e me declarar, sem medo do que escutaria. Sorrir o canto dos pássaros e lamentar a falta de eternidade na Terra porém, ser feliz e viver com sabedoria.

Talvez eu faça tudo isso. Talvez não. Eu fiz. Há 25 dias eu desembarquei no Brasil, de surpresa para a família e amigos, em um impulso delicioso, diga-se de passagem. Ser plena no presente, não esperar o futuro e nem me prender em dinheiro. Seguir o grito do coração. Na verdade, dessa vez, seguir as lágrimas humanas.

A melhor escolha dos últimos meses, posso garantir. Nunca tive tanta certeza de algo, como entrar no avião de última hora. Trancar meu quarto, virar as costas, sem saber o que estaria por vir. Pousar em casa- Pátria- sem planejamento, simplesmente trazida pelo grito de ‘socorro, eu quero colo’.

Curei minhas saudades nos braços dos amigos antigos, respirei o conforto da minha família e encontrei a paz de frente pro oceano. A tranquilidade curou minhas dúvidas e meus olhos voltaram a enxergar. Dancei as melhores lembranças no casamento do melhor amigo e chorei ao escutar: ” feliz por ter você aqui! Que bom que você veio.”

Que bom que eu vim. A melhor escolha é quando respeitamos nossos sentimentos e, sem medo, agimos a favor do nosso bem. Seja quais forem as consequências, saber que tudo vale, tudo é experiência. Não existe erro ou culpa. Existe aprendizado.

25 dias aqui em casa ou fora dela. Ou talvez seja o contrário. Eu não encontrei todas as pessoas que eu gostaria, mas tive o que eu precisava. A liberdade de estar onde eu quero quando eu precisar. Ter um lugar para se refugiar na hora da tristeza, saber pra onde voltar. Tem um pouco de mim em cada canto desse mundo, e cada canto quer me levar. E eu sigo, porque nós temos é que ser plenos no presente mesmo. O amanhã sempre virá de um jeito ou de outro.

 

Couting the days

I do not want to talk about the changes and the ‘sameness’ of the past two months ‘at home’.
For more than a month without writing, I have tried to understand what I became before my thoughts and dreams. I’ve been looking for news to get the words out and apart from cliches. It does not work like that.

I won’t deny that I planned these holidays more than prolonged. I, who hate planning, came to the Brazilian summer full of expectations. I have forgotten, for many moments, that expectation can spoil and offend. And until I could understand what was going on, inside and out, a month had passed.
Completely inside out what I imagined it would be, I juggled my emotions.

Since accept that it is okay to wake up at 11am on the morning for many days – after all, I’m on vacation – until realize that people are not avaiable as we would like, even if they said so. And why would they be? I am the person on vacation and doing nothing, enjoying the sun. The others are leading their lives. They have schedules, jobs, children, routines.

But not an effort on Saturdays?

Expectations.

I got more rain than sun. I forgot about this detail too. That January may be rainy but, damn it! Just because is my summer vacation this January had to be the rainiest of the last 68 years? And London, in turn, despite the cold, had a certain sun. It had light! All wrong!

The hassle of staying at home or on the street, alone and in the rain, is that the mind works too hard. And I wanted her vacation too because when it starts working on the Aquarian spirit … God, I wanted to go back much sooner than I thought. I do not know if I miss London or the woman I am there. If it’s my friends or the opportunities. Or if it is simply missing and that is it.

In one of those screams of “I want to go back now!” I heard from a friend on the other side that: “you’ll come back here anyway so, enjoy what you have there, the sun will come back!” He was right!

The sun came back and I saw in the smile of my niece, every time she sees me, the greatest joy of being here. In the tail of my dogs wagging what is free love. In my huge bed that I love and in my blue wall where are all my dreams and secrets. The corners of the world where I still want to go and the familiar places that call me daily.

My family, which was the greatest expectation, despite the emotional disagreements, continues my family!

In fact, nothing has changed. I’ve changed. I waited, I wished, I frustrated, I loved. I have lived. What had to be lived here, the way it had to be and that matured me a little bit more. That extended the mind a little bit more and opened my true values.

I needed to conform myself that a few people I will see less and my beloved paradise, Rio de Janeiro, will be for a next time. But the Atlantic I met again, as promised! Because it will open up for me on my return.

This return will happen in 20 days. And I must confess, Im couting the days.

One Love: Portugal

Some people do not understand my love for Portugal. Whenever I comment about it, I hear it’s more of a third world country, the “bad” part of Europe where there is nothing.

Recently I heard: “Lisbon seems to Sé Square in SP.” In critical tone. Well, but it is clear the downtown of SP has plenty of Lisbon after all, they-the portugueses- colonized our country. In fact, the similarities go beyond the Sé Square. We see a lot of Portugal every bit of our Brazil.

But the truth is that Lisbon is much more than similarities with our country and Portugal is much more than Lisbon. From Porto to Algarve you eat very well, you love intensely and you have one of the most beautiful sights in the world.

I woukd like to write something more intense and profound about Portugal that I love so much abd do not get tired of visiting. But every time I think of this place, I think the words of Fernando Pessoa in his poem ‘Sea Portuguese’ (Mar Portugues). Nothing defines better this land than the expressions of Pessoa.

So, to not fill this text with cheap words, I ask permission of Pessoa and make his feelings as mine. Everything is worthwhile if the soul is not small!

Yes! And every day that passes I am more sure about this wherever you are. There is always something good and positive in every corner and every day, even in those when you think, ‘I should not have woke up today … “

Yes, you should! The universe need us! Make it all worth it feeds the soul and makes it bigger.

Thank you Lord for this small and friendly piece of land that one day, colonized one of the largest territorie. And despite all problems and defects, left us in good culture, good food and it allowed us to be someone.

Thank you for Portugal that make me feel home.

Vivendo O Lugar

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Beethoven, do qual eu sou muito fã, chegou em Viena por volta dos 20 anos de idade com a certeza do que queria naquela aventura. Levou consigo um princípio:

“Faça o bem onde puder, valorize a liberdade acima de tudo e nunca negue a verdade nem mesmo diante do trono.”

Eu, aos 30 anos, saí de casa apenas com uma certeza: tentar realizar uma vida em algum novo lugar. No momento, o lugar onde quero estar é exatamente onde estou: Londres. Hoje, é a minha casa. Amanhã, chi lo sa.

E isso não é um problema, de jeito nenhum. Mas a medida que os dias passam e a realidade começa a acontecer a nossa volta, em diferentes cantos do mundo então, a cabeça pode pirar. Não bate a dúvida mas sim, a confirmação da certeza. Por ter escolhido estar aqui hoje, o que estou perdendo lá, amanhã.

Que diferença minha presença faria, onde minha dor diminuiria ou meu olhar poderia ajudar. A vontade imensa de estar em todas as situações e, ao mesmo tempo, trancada dentro da concha. Acontece que a concha não é blindada contra a realidade e aí, pode ter o oceano que for no meio, que as emoções baterão na porta. Precisa ser muito frio e racional para ignorar. Não é meu caso.

Prefiro o tormento das horas do que o vazio da Paz.

“Viva o lugar”, disse-me uma amiga.

“Faça da cidade a sua casa e não apenas um lugar de morar.”

Ontem, antes de sair, pensando nisso tudo, eu pedi á Londres que me fizesse sorrir. Ela fez. Londres sendo Londres-cinza e chuvosa- fez-me sorrir e fez-me parte dela. Não houve caminhos errados. Houve uma liberdade de ir e vir. Solta. Sozinha. Paquerando minha escolha.

“Caraca Amandinha, olha onde você está! Em Londres, você conseguiu! Em Londres, sem passagem de volta, podendo ficar o tempo que desejar. Podendo ir e vir nessa Europa o quanto quiser.”

Pausa…SANTO CIELO!!!

Eu moro aqui!!!

No meio da Picadilly Circus, toda iluminada com sentimentos Natalinos, olhei para o Céu escuro e com Lua- ás 16:30 da tarde- e gritei: Sim! Aqui estou eu entregue de Alma e Coração!

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Meu lugar. Minha cidade. Minha casa.

Onde eu farei as horas acontecerem. No frio. No escuro. Na chuva. Com amor. Na Primavera. Com as flores. Com amigos. Nas fronteiras. Em diferentes idiomas. Não importa. O passado entendeu seu posto. As emoções começam a equilibrar-se. O susto é sentir-se bem demais. Leve demais. Feliz demais. Livre demais.

Tudo demais.

Eu não sei o que será amanhã. Mas nesse segundo, escrevendo, eu sei que estou adorando essa sensação.

Vivendo minha cidade. Vivendo minha escolha. Amando a vida.

E com o princípio do mestre dentro do peito.

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O frio nunca me incomodou, anyway! 🙂

Matei O Que Estava Me Matando

Sim, eu morri um pouco por dia.

A cada segundo de tensão, a cada mau humor, a cada grito interno e discussão provocada em família, pois precisava de atenção. Precisava de uma certeza: que a solução viria.

Morri sim, um pouco, todos os dias. De saudades, de frustração, de preguiça. Por conta de cada pensamento desesperado, por cada nervoso e só de imaginar o que seria no dia seguinte. Tudo de novo.

Não precisei me atirar de janelas ou pontes. Eu me matava no inconsciente, no interno. Renascia todos os dias feito uma Fenix. Renascia dos meus próprios sentimentos e torturas.

Todo dia, apesar do desequilíbrio, havia a sabedoria da escolha. Continuar e sempre. Não caia. Não desista. Nem que para isso seja necessário morrer um pouco por dia. Morre-se de amor então, porque não, também, de alegria. Em algum momento matarás de vez o que está hoje te matando.

Nos últimos dias de Itália senti-me como nos últimos dias de trabalho, no Brasil. Quando eu chorava durante o caminho. Chorava de estresse, de raiva, de vontade de ir embora. Feito uma criança que não quer ir para a escola, eu chorava dentro do carro e me fortalecia para encarar mais um dia. Até que decidi sair e mudar o rumo.

Assim foram as últimas duas semanas. Não pela Itália, que é um dos lugares mais belos e românticos que já estive. Mas por todo o peso que eu já estava acumulando e carregando sozinha; Por toda a ferida que não fechava, já estava desgastada, não aguentava mais as mesmas paredes e estradas. Eu precisava do conhecido. Um rosto, uma voz, um abraço que fosse…Aquela liberdade acorrentada aos meus pés, minha nova Pátria que me matava um pouco todos os dias.

Eu precisava seguir e ver pessoas.

Qualquer lugar que eu tivesse um abraço conhecido eu chamaria de Lar. Por a caso, ou não, foi a Terra da Rainha.

“Venha!”

Escutei.

Pousar em Londres foi um alívio. Depois de toda a saga, foi quando eu pude colocar o escudo no chão. Pronto. Respira. Você chegou.

“Estou em casa!”

E estou mesmo, de uma certa maneira. Aqui eu tenho o novo conhecido. Eu tenho o colo. Eu tenho voz.

A saudades do Brasil sempre existirá e, ela será meu impulso e o leão que matarei por dia. Mas acordar e estar onde eu tanto queria é a Benção dos Céus!

Estava morrendo de saudades de você. Da sua música. Do seu carinho.

Estava morrendo de vontade desse lugar!

Mundo Novo de Novo…London!

London

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