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180 Dias

180 Dias de Afastamento.

Assim será para a Presidente Dilma.

180 dias de discussões em redes sociais, bate bocas sem limites, ofensas e até término de amizades e namoros.

180 dias de alivio para uns e de tristeza para outros. A decepção de uma derrota. A vitória de uma Justiça.

180 dias de um país dividido. Um povo desunido mas que clama, desesperadamente, por dias melhores.

180 dias para que ela reflita sobre que fez e no que vem fazendo pelo nosso país. Ou, simplesmente, 180 dias de férias e relaxamento.

180 dias intermináveis para todos nós, brasileiros. Pois, seja qual for a decisão ao final, nada mais será como antes. Que bom. Que bom mesmo, porque precisamos de mudanças, precisamos de mais choques como esses. Melhor dizendo, nós não: eles. Nós já sofremos choques o suficiente.

180 dias de Temer e seus ministros. Suas surpresas desagradáveis e nossos corações na garganta. Marcar o calendário nunca foi tão arriscado.

180 dias de um final indefinido. Podemos ter Temer temporário e Dilma voltando a pedalar em torno do Palácio do Planalto.

Seja qual for esse final, ele representará o início de toda uma mudança necessária. Representará todos os nossos gritos desses últimos anos. E eu espero, com todo meu coração, que esse final una nosso país de uma ponta a outra, pois não há mudança sem grandes revoluções. Nós já entramos nessa guerra, agora só sairemos vitoriosos.

180 dias para o fechamento de um ciclo.

Que a Justiça seja feita. E que seja para o melhor. O melhor para o Brasil!

Enquanto isso, continuaremos levantando cedo para trabalhar, as Olimpíadas acontecerão, ainda que haja desordem e nós continuaremos a sorrir, porque somos assim. Graças a Deus! Que não nos falte paciência e Fé, pois esses 180 dias se transformarão em infinitas emoções.

Acostumada do Prazer à Dor

Sozinha na multidão. É como sinto-me muitas vezes. Londres é magnífica em todas as suas qualidades e defeitos. Mas é dos lugares mais solitários que já morei. E não por você não ter companhia, mas porque a atmosfera traz isso. O inverno piora esse feeling, claro. Não é nada que te mate fisicamente, mas mata mentalmente. E se a sua cabeça não estiver no lugar, facilmente, você entra em sua concha e esquece de viver.

Não quero esquecer de viver, principalmente nesse lugar. Se eu sempre soube driblar a loucura de SP, como não saberei driblar a individualidade Londrina. Nada disso é um bicho de sete cabeças mas, dependendo a quantas anda sua mente, isso torna-se um grande obstáculo. Lidar com você mesmo. Ainda que rodeada de pessoas, festas, risadas…Ir para a cama sozinha e dar boa noite aos Espíritos pode fazer você adoecer.

O apartamento já não está mais silencioso. A turma do Brasil chegou. Da cama de casal ao colchão no corredor, é onde eu moro agora. Well, por alguns dias, até ocupar um novo apartamento. Salva por amigos!

A sala que testemunhou minhas risadas e conversas, por tantas madrugadas, agora tem malas, colchões e cobertas. Há novas vozes e gostos. Pensamentos e opiniões. E o que eu chamo de lar, eles chamam de mundo novo.

Há 4 meses fora do Brasil, praticamente sozinha, parece que eu tinha esquecido o que era essa “bagunça” boa. A ânsia por coisas novas, por conhecimento e tudo mais! E a diferença entre já ser uma viajante e um aprendiz. Entre vir e fazer tudo sozinha e, estar em família. Eles estão em família. Eu estou agregada mas, ainda sou eu apenas. Sozinha.

Ontem, antes de sair, comecei a preparar meu café da manhã, como todos os dias. Comi na cozinha mesmo, já que sentar no chão da sala não era mais possível. rs Alguns já estavam prontos mas, não estavam comendo e nem movimentando-se para isso. Então perguntei:

“Vocês não comem de manhã?” A resposta: “Comemos! Mas é que a gente espera pra comer todo mundo junto. Família mesmo!” Minha expresão mudou. Aí veio o complemento:

“É que você acostumou a comer sozinha nessa sua vida na Europa…”

Oh My God! I did!

Eu acostumei a comer sozinha não, eu acostumei a estar sozinha!!!

Eu não aprendi a estar/ser sozinha, eu acostumei, porque dentro da escolha que eu fiz, era o que tinha para o momento. E de repente, o que já estava organizado no lugar “acostumada”, entrou como uma porrada no estômago! Minutos depois, estavam todos na mesa, comendo juntos. Eu saí para meu compromisso pensando e falando alto, comigo mesma, sobre isso.

Não negarei que escorreram-me lágrimas pois, é isso o que acontece quando vivemos nossa própria vida. Entramos em nosso trilho e não percebemos como nos adaptamos a certas coisas. O que é até uma bobagem, pois no Brasil eu também tomava café sozinha, já que em casa temos todos horários diferentes. Mas quando eu enxerguei a situação como ela é, veio toda minha trajetória desses 4 meses que, mais parecem 5 anos.

Aquariana adaptável. Aventureira como o ascendente em Sagitário. Filha de Santos Guerreiros mas, que caiu do cavalo ao escutar uma frase tão simples e tão significativa.

“Cuida da cabeça. Não importa o que aconteça, esteja bem dentro de você. Pois senão, facilmente, a cidade te engole.” Disse uma amiga.

Sim, eu sei. Mas o mais difícil já aconteceu: acostumei a estar sozinha. Será que eu acostumo a estar em coletivo novamente? Será que essas emoções voltarão a fazer diferença? Em tão pouco tempo eu já estou adorando minha individualidade e achando normal…?

Não pode ser…

Na mesma tarde meu pai envia uma msg perguntando se estou bem. Perguntei: “Defina “estar bem”.

Ele respondeu: “Estar bem é estar vivo, andando, pensando, podendo criar e realizar dentro das nossas oportunidades…”

Bom, pensei, então estou parte bem, pois estou viva e andando. E vou falar que isso já é bastante dentro das minhas condições atuais. Algumas emoções já não fazem mais tanta diferença ou não são tão importantes agora. Triste? Fria? Realista? O que estou me tornando?

Ou: o que estou acostumando-me a ser. Seja o que for, que minha essência não morra jamais. E, se houver aqui dentro algum Amor, que ele salve-me diariamente de qualquer possível depressão.

Há um amigo que diz que não são as doenças que nos matam, mas sim as nossas emoções.

Mas o que não mata fortalece…

Incomodada com esse sentimento Natalino. Incomodada com meu crescimento. Incomodada com o que essa cidade cinza me causa. E acostumada a tudo isso.

Eu amo você Londres. E eu espero que me ame de volta.

As Luzes Foram Apagadas Mais Cedo

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Ela foi até a superfície pegar ar e em segundos mergulhou profundamente prendendo todo aquele ar, como se fosse o ultimo que lhe restasse. Mergulhou para as suas profundezas internas e contou todas suas trocas de pele nesses seus últimos 30 anos. Escutou todas as percepções caindo, pouco a pouco.

Ás vezes não sei mais onde estou. Esqueço do que fiz, do que falei se foi ontem ou se ainda será. Confundo com sonhos da madrugada e perco-me nos dias da semana. O Sol dura pouco demais, isso, quando ele vem. Essa semana fui sacodida como se estivesse em um brinquedo de parque de diversão. Vivi cada minuto sabendo o que seria do próximo, o que eu deveria fazer e quantos dias me restam nessa rotina.

Arrumar. Limpar. Planejar. Pegar metro, mala, outro teto, tudo de novo. Mudar. Tutto bene, nas nossas andanças passamos por isso mesmo, até termos nosso próprio casulo. Mas a sensação de ” caraca eu não tenho lugar”, ás vezes bate forte.

Essa semana eu fui muito pouco à superfície. Fui constantemente puxada para dentro de mim, obrigada a enxergar e a mexer em tudo que se espalhava pelos cantos. O baú estourou e todo aquele enxoval foi pelos ares. De novo não, por favor! Não tenho medo das lágrimas, mas sim da minha própria mente. Ela precisa ser melhor ocupada, porque vocês sabem, mente vazia casa do Diabo. E casa do Diabo meu bem, é fábrica de invenções.

Invenções de sentimentos, de novos monstros, para justificarmos uma nova batalha; Invenções de sonhos e pessoas. Invenções até de lugares e acontecimentos. Alimentamos tanto essa fábrica que ela torna-se real. Acreditamos de uma tal maneira, que torna-se quase que físico. Um turbilhão de sensações. E todas as expectativas em uma oportunidade. Para fazer valer os 30 anos nessa escolha do avesso aos olhos dos “comuns”. Para fazer valer o que chamam de “Oportunidade Única.”

Bullshit! Para fazer valer todo meu esforço, isso sim. Dormir e acordar sozinha, a 10 mil km do colo maternal, tem sido de fato, o maior crescimento. Cozinhar já é etapa vencida. Mesmo com toda tecnologia, não poder atravessar a rua, pegar um ônibus e ir beijar o fuço do seu cachorro, é que é um grande desafio. Sobreviva a isso no final do dia e verá, davvero, o quão forte és.

É lindo sair de casa. É uma delícia ter todo o poder em mãos. A liberdade do espaço, da escolha. É doloroso e recompensador sentar de frente para o espelho e saber que, o que se deseja naquele segundo não terás então, bola pra frente. Mas morar longe…Aí sim eu acredito no tamanho da minha coragem.

Uma vez, eu devia ter uns 11 anos, minha avó segurava um panettone daqueles bacanas, que vem dentro de lata importada. Na minha imaginação, aquele panettone era uma evolução dos de caixa então, comentei: ” Vó, vamos abrir! Meu sonho comer panettone que vem dentro dessas latas!” Ela, mineira e muito sábia: ” Minha neta, é só isso seu sonho? Que sonho pequeno! Sonhe mais alto!”

Poxa vó, imagina se eu tivesse me contentado só com aquele panettone…!

Eu sonhei mais alto. Eu estou no alto. Mas aqui em cima os tormentos também nos alcançam.

Com quase 31 anos o que estou fazendo comigo?

Que etapa é essa da minha vida que eu me coloquei. Sinto-me tão atrasada mas, em relação a quem e a que? E essa droga de prazo que todos colocam em nós- e nós mesmos- cada vez que nos perguntam: “Até quando?” Até quando o que? Não pode ser ‘Por esse momento e amanhã eu revejo?’

“Você ficará aí para sempre?”

Como eu posso saber! O Para sempre é muito tempo e longe…Não! Fábrica de Invenções!

“As coisas acontecem ao seu tempo”

Tempo. Eu espero que ele não desista de mim.

Essa noite ela foi do sorriso às lágrimas. Repetiu seus mantras 80 vezes. Assistiu sua série preferida em Italiano, para recordar. Adormeceu no sofá com a tv ligada e comeu carboidrato no jantar. Não era a única oportunidade do Universo, há de ter algo melhor guardado. Ela sabe disso. Também não imaginava o quanto ficaria chateada. Mas é que aquele “não” mexeu com muita coisa. A obrigou repensar suas escolhas.

Calou-se. Os amigos entenderam. A família entendeu.

Ela só queria sua cama. Seu urso de pelúcia, naquele momento, foi seu conforto de infância. As luzes foram apagadas mais cedo, essa noite. Assim como as cortinas foram fechadas sem esforço. Amanhã é um outro dia…E ele será todo seu.

Boa noite dia.

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