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One Love: Portugal

Some people do not understand my love for Portugal. Whenever I comment about it, I hear it’s more of a third world country, the “bad” part of Europe where there is nothing.

Recently I heard: “Lisbon seems to Sé Square in SP.” In critical tone. Well, but it is clear the downtown of SP has plenty of Lisbon after all, they-the portugueses- colonized our country. In fact, the similarities go beyond the Sé Square. We see a lot of Portugal every bit of our Brazil.

But the truth is that Lisbon is much more than similarities with our country and Portugal is much more than Lisbon. From Porto to Algarve you eat very well, you love intensely and you have one of the most beautiful sights in the world.

I woukd like to write something more intense and profound about Portugal that I love so much abd do not get tired of visiting. But every time I think of this place, I think the words of Fernando Pessoa in his poem ‘Sea Portuguese’ (Mar Portugues). Nothing defines better this land than the expressions of Pessoa.

So, to not fill this text with cheap words, I ask permission of Pessoa and make his feelings as mine. Everything is worthwhile if the soul is not small!

Yes! And every day that passes I am more sure about this wherever you are. There is always something good and positive in every corner and every day, even in those when you think, ‘I should not have woke up today … “

Yes, you should! The universe need us! Make it all worth it feeds the soul and makes it bigger.

Thank you Lord for this small and friendly piece of land that one day, colonized one of the largest territorie. And despite all problems and defects, left us in good culture, good food and it allowed us to be someone.

Thank you for Portugal that make me feel home.

Dear London…

Dear London,

When your busy days get me mad I remember that there is Hyde Park to relax. Sometimes I need to hide myself from your buildings and noises.
Sometimes I just need to see the life happen. Naturally.

Today I sat in front of Kensington Palace and my words came out of my mind as they want to break free. I feel like I have no time to talk to you anymore about me. Your hurry days give me no choice but being like everyone else: in a hurry.

You look more like autunm than spring. Your winds still wake me up in the middle of the night and the sun is quite shy. But Its fine for me, as long as it does not rain, I can enjoy your sky.

This week is going to be heavy. Im tired, fisically. Emotional I cant even say, I think I got used to it. I must say that I feel like Cinderella before the blue dress and all the magic. Some days, the only things I can remember is cleaning. What do I do everyday? I clean. I clean the whole restaurant. I clean my heart. I clean my mind.

You do this to me. You force me to face my hours, to swallow my cry.
Im no longer the same person as I was when I got here. I thank you for that.

If I accepted you as you are, would you satisfy me more? Perhaps with a new job or a better man. Or a new way…

You know what I like the most? To observe how people handle you; how they live your streets and places; how they enjoy your weather or not; how they smile; their accent…And between so many voices and languages, I remember that much more than you, magic city, I have the whole world. Once and again, I thank you for that.

Beloved London, you make me crazy but at same time, you make me stronger. You make me a dreamer!

No matter what happens, tomorrow is gonna be always another day.
But just for you to know Im still waiting for your flowers.

Love,

me

02.05.2016

HydePark

Feliz- mais um dia normal- Natal!

Desde os meus 5 anos de idade eu divido meu Natal em dois. E sempre cumpri muito bem esse papel, desde então. A cada dezembro que se aproximava minha preocupação era uma só: “Com quem eu passarei esse ano”. Claro, havia a ansiedade para os panetones e presentes mas, eu era consciente demais da minha função naquele evento, para me distrair com o resto.

Isso é ser filha de um divórcio. Aprender a dividir tudo desde cedo. Assim como o Natal, todos os outros feriados e até aniversários. Mas esse tal de 25 de dezembro carrega uma religiosidade muito séria e, como descendente de família cristã, nunca foi algo simples de ignorar. Quando as comemorações aconteciam na casa dos avós, com primos e tios, ficava mais fácil. Mas sempre havia a ligação, no meio da madrugada, para aquele que ficou em outro canto. Nunca tinha os dois juntos.

Então vieram as famílias novas e agregadas. Esposa e namorado. Novas casas e outros bairros. As crenças eram as mesmas tudo muito tradicional. Mas nem sempre a distribuição da mesa agradava. Meu Natal tornava-se um roteiro a ser seguido. Tudo bem, contanto que eu estivesse sorrindo. Era só o que eles faziam questão. Da presença dos filhos- eu e meu irmão- e de nossos sorrisos. Eu enxergava mais além. Eu dava o que eles queriam sabendo que cumpria uma missão.

“Sorria. Seja educada. Diga as palavras mágicas! Não grite e mastigue de boca fechada!”

“Sim, pode deixar!”

Com tão pouca idade eu já era bem dirigida. Não poderia ter me tornado outra coisa na vida que não atriz e escritora. Merecia um Oscar por cada interpretação. E posso dizer que sim, eu era adorável!

Não havia sofrimento ou tristeza. Haviam observações. E era muito divertido perceber como eles-pais- precisavam tanto de nós- filhos- naquele momento. Como era importante nos deixarem felizes principalmente no Natal.

Por tudo isso passei a enxergar essa data como “apenas mais um dia” mas, carregava a obrigação em vê-los bem. E como nada está sob nosso controle, a cada pequena frustração, vinha a gastrite. Eu cresci. A escolha passou a estar cada vez mais em minhas mãos. A “simples” data voltava a pesar. Agradava a todos e esquecia de me agradar.

“Pequena menina. Natal é apenas uma data normal. Para muitos, não significa nada. Depois que você dormir, acordará e tudo estará igual. É apenas um dia. Não sofra!”

Há 10 anos, quando morava na Austrália, passei meu primeiro Natal sozinha. E, pela primeira vez, eu não precisei escolher nem um e nem outro; Pela primeira vez eu não precisei me preocupar com roteiros, sorrisos e vestido novo. Eu não tinha escolha, só havia um lugar para estar e era ali. Não havia outra pessoa para compartilhar além de mim mesma. Eu lembrei do conselho e do mantra de vida: É apenas uma data! Seja com chester ou batata frita, não faz diferença. A espiritualidade está dentro de cada um, essa é a sua Fé!

Que alívio! Que sensação! Acho que eu não tinha idéia do quanto era pesado todo esse evento “Natal em família.”

Não sofri. Sobrevivi. Sorri.

Dez anos depois e, alguns Natais pelo caminho, encontro-me novamente longe da família. Dessa vez na gelada Londres e, a mesma questão.

“Amêndoa não se preocupe, é só mais um dia normal. Essa é uma facção religiosa, não dê importância aos outros, foque em você. Fique bem.”

Um dia normal. Eu sei. De fato, um dia normal, como é para os muçulmanos, indianos, judeus, ateus…E para mim!

Não é tão fácil quando se foi educada dentro dessa facção religiosa, ainda que com todo o histórico de Natal que carrego. Em uma cidade cristã, onde as pessoas adoram o Natal, estar sozinha parece pecado. Mas decidi que esse ano seria all about me. Olhar pra mim. Me escutar. Comer o que eu quiser. A hora que eu quiser. Com a música que eu quiser e, claro, rezar.

Sem me preocupar com o almoço do dia 25 que sempre vira jantar. Sem estressar com as horas falhas da minha família “torta”- mas não com menos amor. Sem precisar escolher…Porque a escolha já está feita. E como não posso estar com quem eu gostaria e deveria então, truco! Dia normal. Dia de Paz.

“Filha e como será seu Natal? Você passará com alguém ou ficará sozinha?!”

Não se preocupem. Eu tenho um Chocotone Italiano na mesa e Londres inteira está aqui. Só fica sozinho quem quer.

Mas estou chateada porque esse ano não nevou.

Feliz mais um dia normal…

Feliz Natal…E muito Amor!

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Kilburn

Eu costumo dizer que quem tem amigos tem tudo na vida. Muitas vezes, até mais do que família. Vinícius de Morais falou que “Amigo não se faz, reconhece.” Eu adoro acreditar nessa teoria! Assim como adoro acreditar que há Anjos em forma de pessoas que surgem para nos ajudar quando mais precisamos.

Eu tinha data para sair do apartamento onde eu estava, em Barking. Eu sempre soube disso e já tinha até para onde ir. Mas não estava segura com a decisão tomada, a energia não batia com o lugar e não estava a vontade. Mas eu precisava de um piso e, quando a necessidade aperta, a gente fecha os olhos e vai.

Até que um dia:

“Amêndoa, fala com uma amiga minha que mora aí em Londres, de repente ela pode te ajudar!”

Claro, por que não!? No mínimo fico conhecendo pessoas novas e isso é luxo quando estamos fora do nosso país de origem.

Fui encontrar a tal da amiga em um Café, onde haviam outros brasileiros reunidos fazendo um som Mineiro com sabor de casa.

Seja Bem-Vinda! Em 10 minutos de conversa compartilhávamos pensamentos semelhantes, crenças e arte. Mais 5 minutos e a solução veio em suas palavras:

“Estou indo para o Brasil de férias. Fica no meu apê por um mês!”

Como assim!?

Sim!

Um mês! Tudo o que eu precisava.

Como é possível alguém que nunca tinha me visto antes, nem sequer ouvido falar de mim, no primeiro ‘oi’ confiou em meu olhar e estendeu-me a mão, quando eu mais pedia internamente por uma nova solução. As pessoas que os Anjos colocam em nosso caminho e que, a única explicação para isso, é a espiritual. Gosto assim. Prefiro assim.

Kilburn. Norte de Londres. Mais perto do centro. Mais perto dos Beatles.

“Que minha casa possa trazer-lhe, nesse um mês, a Paz e a tranquilidade que você procura.”

Não tenha dúvidas. Meu silêncio reencontrado e minha individualidade de volta no lugar. Escrevo, ao som de Ravel, de frente para uma vista com prédios no estilo Victoriano como aqueles do filme do Peter Pan.

Não procuro explicação para esse sentimento de leveza. Deixo fluir ao longo das horas. Sinto-me cada vez mais Londrina incluindo todos os defeitos e a solidão desse céu cinza. Mas não gera tristeza. Gera compreensão. Satisfação.

Minha terceira casa em 4 meses. E não será a última. Meu terceiro bairro, minha terceira linha de metro, minha terceira experiência dentro do meu mundo novo. E novos passos, novos amigos, novos caminhos…Que sorte a minha!

Quem tem Amigos tem tudo mesmo. E quando estamos de bem, as coisas acontecem de coração!

Namastê!

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