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I will be back on time

I will remember all that lemonades.
How did I mess up the table and you just smiled.
I will remember your sweet voice singing and telling me “dont worry everything is gonna be all right.”

Do you want to see a woman become a girl just wait her to fall in love. Your 23 turned my 30 around and colored my sky when I needed it the most.
I know you have a girl and I have the world. This freedom makes me starving for love. I know my place so I let my silence speaks. You have the eyes that changes my mind, please, believe.

Two differents worlds becomes only one when the same song beats over and over again. Hours flying through our days and saying good bye to you, again, couldn’t be worst.
What it mean to be it mean to be. Its better like this, live the life and let it be. No tears, no regrets. Beautiful memories, good times, I will miss you.

I dont want you away from me but this is more than I can wish. But if someday you say that you are in, I promise, I will be back on time.

Yes, I will be back on time.

🙂

The butterflies

It’s hard to deal with all those butterflies in the stomach. It is strange to live this mixture of joy and fear. Some moments I think I’m ready and safe, others just one look and one request and I change everything again.

After long 15 months- which easily were like 5 intense years- I can say that I exceeded expectations that were not in the ‘luggage’. Some will come with me, for they have become good lessons worthy of sharing with the world. Others, I threw it around the corner. Gone with the wind. Recycled. It made me lighter.

On the last day of work in the restaurant- 10 hours shift- I did not feel pain or tiredness. I missed it already. I missed the repeated songs we never got tired of and the little snacks we used to have hidden in the kitchen. The moments Of cigarette leaks – who smokes- and smiles disguising a problem. Our tricks to escape the heavy and the confidence between each other to be less tiring. And how this routine changed my life.

Observing, I remembered what slipped through my hands and what I simply gave up. How it hurt to deal with consequences of own choices and, at the same time, how satisfying it was. My passion for autumn became even greater, but winter showed me a side that I did not need to know. The excess cold saddens and ages. I need light. I need colors.

I found myself fat, before the mirror, and then thinner. Now I’ve grown fat again. But I’ve always seen a woman. Something I could not see before. I criticized myself and admired myself. I faced my frailties. The human frailties we all have. As we need attention, we are devoid of voices, of presence, of care. This kind of independence, “leave me alone ‘cause I know how to live alone”, is not that simple, no matter how old you are. We know how, of course we do. But it is not always nice. In my case, I discovered that is almost never. Although I did very well on the mission.

In this emptiness of emotion and search for comfort, I surrendered myself. When I surrendered, I fell in love. I’m not sure what I got back, but it made me feel good. Still do. I made friends for a lifetime. I  felt too old and too young. Courageous and the owner of the world. Tracing new paths, but willing to stay. Not to leave. Just a look. Just a request.

Hard to leave now. Hard to break and “lose”. Afraid to let change one more time. Joy mixed with sadness. The bags. Everything that fits and what will remain. Physical and emotional. Something always stays, to make us come back. And even if that’s true, crossing the ocean is not light. It seems we are crossing Narnia and its enchanted world. More or less, by the way. I will leave the cold of the Queen’s land for my São Paulo. Another mayor. Summer. No car. Not that bad. Married friends, kids, a few who have also changed places. A country trying to recover from politics and disasters. It’s mine. But I think I’ve forgotten the streets. And the feeling of belonging to ‘the space’ I think I lost. Or it’s stored in some corner of the chest.

I grew up. Oh, I did! I learned how to save money and go straight through the shop windows. Buying only the necessary (almost nothing, I realized that we can live with much less). I traveled! Because that’s the best money spent! I had lap and hugs from friends and I missed my parents, a need of them that is almost childish. And I’m already 30 (yes, I ignore the other ‘one’)! And when you survived such a feeling…Yes, you grow!

When I least expected it, I adapted. Today, I call home what once seemed a punishment. And it’s not just London, it’s the inside. I’m at home, because I’m fine with myself. The more European I feel, the more Latin I realize that I am. This blood and heat from the veins will not change. There is no citizenship that changes who you are and where you come from. The magic is you know how to adapt, see the good and allow yourself to live intensely. Being an immigrant is not easy, dealing with differences and having to face cultural barriers even less. But life demands change, it is more than our yard. My need was more and I respected the inner request. It passed quickly. Look at Christmas and I, here again. But now I know who I am and where I am. Glad we changed. Worth it.

In this second I cannot wait to get in Brazil. But the butterflies do not leave me unharmed. I do not know if I want to pack, maybe just board. Let life happen. As it will be. Just one thought as I write: 7 days. One week. And everything will be new again. For a month, two, until I come back and here, start over. But then, it will be another season.

London, you look beautiful and I love when you look at me like that.

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Paciência e Fé

E quando o tormento vem assim de repente…Mentira, de repente nunca, ele está sempre ali no canto apenas esperando o segundo melhor para explodir. Fazer você explodir. Silêncio. Muitas vozes, muito barulho. Não precisa ser assim, tão alto.

“Amanda, faça isso; Amanda, faça aquilo; E se você tentasse de outro jeito; Você já foi ver o que eu pedi?! Limpou as mesas?!”

A própria gata borralheira.

“Dont be like a kid, Be nice, be happy, go out, go to work, love, live, breathe, smile…”

AHHHHH enough!

Eis o mais novo muro na minha frente e o mais novo sinal desse coração cigano que vos escreve. Basta, por agora, basta. Não adianta bater e assoprar depois. Meu escudo está no chão. E eu estou cansada. Se eu não posso saltar do planeta então, entro em minha concha feito uma ostra.

Sinto muito, dessa vez só há espaço para um. Eu e todos os pensamentos que me acompanham. Haja espaço. No aperto nos batemos mas, é a única maneira de enfrentá-los. Penso demais e isso nem sempre é bom.

Não aguento mais olhar minhas mãos rachadas e sempre com alguma bolha nova ou queimadura-sim, eu me queimo o tempo inteiro no restaurante como uma criança estabanada.

“Passa creme, usa luva, elas melhoram.”

Elas sim, eu é que não.

Ah e esses ‘nãos’ continuam vindo. Chegando de fininho e pisoteando a esperança, o sentimento de algo melhor.

“Muito obrigada pelo seu interesse mas…Agradecemos sua disponibilidade mas…Não, não, não…!”

É só o que Londres tem me oferecido. Uma vida corrida. Dias sobrevividos. Falta de tempo. E ‘nãos’. ‘Não’ para tudo o que eu sonho. E sim apenas para o que é real: Sou imigrante em sua casa. Eu deveria saber. Madrasta.

A cidade do centro do Universo. Sua arte a solta e todo seu peso cinza enraizado mesmo em dias claros de Sol. Madrasta. As chances abertas, mas você não pára. Você empurra, sai arrastando, atropelando. Não olha nos olhos, não dá colo e ainda manda engolir as lágrimas. Nosso amor é seasonal, chego a conclusão. E não adianta gritar, eles jamais entenderão.

“Paciência e Fé.”

Oi??!

Paciência e Fé.

Escutei em um musical delicioso que fui assistir com um amigo querido.

Eu quis chorar. Eu chorei na verdade.

Paciência e Fé.

Com você e todas as suas escolhas. Com você e todas as suas novas mudanças e caminhos. Não tenha medo de remanejar tudo se assim for preciso. Eu, que penso tanto, nunca havia pensado desse jeito.

“Você é mineira minha filha, garimpa! Há muito o que ser visto e feito!”

Pais. Paz. Será!?

“Esse trabalho é temporário e ele está pagando pelo seu sonho!”

Está pagando pelo meu sonho. Temporariamente. E quando falamos em sonhos lembramos que eles não possuem preço. Todo esforço é válido diante do que desejamos. Não há limites para meus sonhos. Não há limites para mim.

O simples da vida parece muito difícil. E sobreviver tem sido um exercício árduo. Mas algo tem sido. Eu sei. Soa ingrato. Demorado. Injusto. Dolorido até. Mas tem sido. Os olhos andam inchados e a saudades quase violenta mas…Paciência e Fé.

Toda noite, quando deito, fecho os olhos na esperança de abri-los na cama em minha casa, com minhas cachorras deitadas aos meus pés. Eu sei que não acontecerá feito um passe de mágica mas, é gostosa a sensação. Conforta. E me faz dormir.

E após a madrugada virá mais um dia. E cada ‘não’ eu transformarei em um ‘sim’. E a cada cliente eu sorrirei e lembrarei: “paga o sonho!”

E pelo tempo que tiver que ser. Enquanto eu quiser ou até o príncipe surgir. Sem presa. O sapatinho será encontrado.

Paciência e Fé.

Um tempo entre Você e Eu

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Ás vezes venho até aqui olhar para você apenas para lembrar-me que estou em sua terra. Para sentir sua força e seu poder. Sua presença que atrai multidões mesmo debaixo de neve.
Fazia tempo que não nos víamos e que eu não escutava sua voz anunciando meu tempo.

Estivemos em guerra e falamos coisas demais uma à outra. Você e sua fria praticidade de levar os dias. Eu e meu romantismo e sensibilidade de ver a vida. Enxergar o clarão em meio à seu cinza requer muito esforço e energia.

Escondi-me em seus cantos, sozinha, para fingir que entrava em seu percurso. Transitava por ruas desconhecidas e evitava olhar para os lados dentro do metrô. Mas a verdade é que algo está pendente. Não estamos nos entendendo ainda. Também não sei se precisamos. Basta nos respeitarmos. Como um amor desgastado ou relaxado.

Há um coração solto, talvez perdido, em meio as fronteiras. Mas, de frente para você, dono das horas e pontual, lembro-me de onde estou, da onde vim e para onde vou. Lembro-me de ‘estar’, de escolher e de ser. Alguém ou simplesmente você.

Fico feliz em ver-te. Em cruzar sua ponte e sentir-me cuidada. Consegue ver-me de todas as pontas.

“Eu amo esse lugar, Meu Deus…Olha pra isso! Há cores nessa noite fria! Sua grandeza me fascina!”

Não!!!

Ouviu isso?! Meu pensamento falou alto demais! Jamais deve confessar um amor desse jeito. Jamais deve-se declarar descaradamente. Relaxei demais. Agora perdi a razão. Você irá abusar de mim e brincar com meus sentimentos, feito homem que sai com nosso sorriso nas mãos e não olha para trás.

Entreguei-me e escutei seu badalar.

Querida Londres, é amargo isso que eu sinto. Já não sei onde vamos parar. Precisamos de um tempo. Tempo. Peço, de frente para você, dono das horas. Tempo.

Precisamos nos separar por uns dias. Eu sentir sua falta e você a minha. Pensarmos em como estamos nos tratando. Seus olhares distantes e minha imaturidade. Nossa falta de paciência e até de sabedoria.

Perdi a cabeça, perdi o rumo…Estou perdendo-me de você. Estou presa no que deveria deixar-me livre. Cruzarei a fronteira em busca de paz e equilíbrio.

Trairei-te honestamente nos braços quentes de outro inverno. Faremos sem mentiras. Eu vou. Mas volto. Para você eu sempre voltarei. Seriamente ou não, aqui dentro, há um lugar que é só seu.

Conhecerei outros cheiros e sabores. Terei abraços e vozes conhecidas. O colo que, por enquanto, você não pode me dar. Amarei sim outro alguém e lugar. Mas não se desespere, você também poderá espalhar-se por aí e experimentar outros corpos. Não precisamos gritar e nem darmos as costas. É apenas um tempo.

Há um festival de luzes em suas principais paredes. Há um festival de emoções internamente.

Saio das cores ao branco e preto em segundos. No estalar de dedos. Livres. Como amor e ódio.

Acredito que tenha reagido bem. Sua voz, mais uma vez, anunciando meu tempo. Toca-me. Estamos leves.

Agora falta pouco.

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Um caso de Amor e Ódio

Ela sabia que aquelas lágrimas eram muito mais do que solidão e saudades. O baú abriu novamente mas, dessa vez, apenas algumas peças caíram. As de renda. Brancas, pretas, bordadas a mão pelo coração. Eram o amor e sua ausência. A dor da falta de controle da sua própria vida. Ela pediu liberdade e teve demasiada. Chorou na missa feito criança. Desequilibrada. Fora dos trilhos. Mais uma vez.

O medo de viver a vida alheia. A perda do foco. Ela sabia que aquelas lágrimas representavam algo a mais mas, era indecifrável até então. Quando escreve escondida atrás da narradora, é porque não tem coragem de enfrentar o que está mesmo a vivenciar.

Ela reciclou todo aquele sentimento para fazê-lo de base. Está ausente com o mundo exterior. Precisa de ar e de olhar para suas conquistas. Valorizar os 4 meses que a amadureceram 5 anos.

Está vivendo um caso de amor e ódio com Londres. Seu maior prazer e tormento.

Ninguém falou que eu sobreviveria ao Natal ilesa. Nunca saímos imunes dessas situações, seja para o bem ou mal. Gostaria de ter mais controle sobre minhas emoções. Quando elas surgem parecem não pedir licença, simplesmente me arrombam e o vexame está posto. Chorar na missa, descompensadamente não é, assim, algo muito maduro. Mas é como dizem, às vezes, precisamos esvaziar a caixa d’água. Lave a alma, por favor, porque está pesado demais.

Londres, Londres…Se eu sobreviver a seu inverno e sua solidão, terei certeza de que serei capaz de sobreviver a tudo na vida. E olha que nem precisa ser ilesa. E não será. Já tenho marcas suficientes causadas por você nesses quase 60 dias.

Tão pouco e já estamos nesse ponto da relação. Veja bem, penso que pode ser mais amor do que ódio. Quando travamos uma guerra, contra algo ou alguém, é porque há sentimento. A indiferença é o que mata. Não causar nada, absolutamente nada, é muito triste. É o ponto da desistência.

Acho que ainda estamos bem. Só não sei até quando. Tenho esquecido o que tem valido a dor de alguns dias sob seu céu. Tenho esquecido o que tem pago o alto preço dos meus passos em suas calçadas.

“Que bom que estamos olhando para nossos problemas e não jogando-os para debaixo do tapete, amiga! Que bom que podemos enfrentá-los.”

Pois é. Mas eu adoraria poder jogá-los para debaixo do tapete. Não posso, não tem tapetes onde estou morando e a cama é vazada. Facilmente os problemas me encontrariam do outro lado. Que escolha eu tenho se não encará-los nos olhos e enfrentá-los. Suas caras nada bonitas e fantasiadas com todos os meus medos.

Sinto que estou me arremessando na fogueira mais uma vez. Ou melhor, precisando cruzar um bosque de espinhos inteiro fechado daqueles que não tem volta. Porque não tenho. Não importa o quanto eu chore hoje e desabafe, ao final da noite, a escolha será uma só. Continuar aqui. E amanhã cedo, a escolha será a mesma, porque eu quero assim.

Não opero na dor. Mas sou resistente a ela.

Seus roteiros a enlouquecem. Há planos para daqui 5 anos e nada para os próximos minutos. Só de pensar em perdê-lo, dentro do que escreveu, é um pesadelo. Mas de tanto acreditar, tudo torna-se muito real naquele olhar de menina. Ela sabe, no fundo, o que a tem tirado do espaço.

Estava linda em sua maior simplicidade. Mas seus olhos esverdeados nunca estiveram tão tristes. Ainda assim ela saiu. Precisava restabelecer sua relação e lidar com possíveis ausências e demoras. Em 4 meses, pela primeira vez, naquele segundo, ela se arrependeu.

Dançou a noite inteira, por mais de 1h, sem parar. Não piscava. Mal podia respirar. De braços em braços, estranhos dançarinos e voltas pelo salão. Latinos. Seu sangue, sua saudades. Até não sentir mais seus pés.

Sim! Eu me arrependo de todas essas escolhas tortas e mal organizadas. De não ter voltado e ter me atirado nesse precipício que não acaba.

Nem seu frio eu sinto mais. Mas voltar não é a solução e sim um remendo. Te dar as costas será como desistir de um amor. Eu já fiz isso antes e não farei novamente. Não importa o quanto você me pressione, eu a pressionarei de volta. Não importa a distância que me manterá de meus amores, eu me alimentarei dela.

Não importa a sua frieza. Eu compartilharei calor.

Então, com um cigarro em mãos- depois de tanto tempo- ela escutou seu coração.

Eu odeio o fato de te amar e querer desvendar-te. Eu odeio amar sua cultura, seus teatros e sua falta de charme.

 Não desistirei de você Londres, porque eu não desistirei de mim. Hoje eu sobrevivo a seu inverno, amanhã eu viverei as suas flores.

Pelo tempo que durar.

Voltou ao salão para rodopiar sua decisão. Sábia ou não, ela lhe deu mais uma chance. E, independentemente do que aconteça, ele sempre estará ali. Assim como ela e sua odiosa amada cidade.

Feliz- mais um dia normal- Natal!

Desde os meus 5 anos de idade eu divido meu Natal em dois. E sempre cumpri muito bem esse papel, desde então. A cada dezembro que se aproximava minha preocupação era uma só: “Com quem eu passarei esse ano”. Claro, havia a ansiedade para os panetones e presentes mas, eu era consciente demais da minha função naquele evento, para me distrair com o resto.

Isso é ser filha de um divórcio. Aprender a dividir tudo desde cedo. Assim como o Natal, todos os outros feriados e até aniversários. Mas esse tal de 25 de dezembro carrega uma religiosidade muito séria e, como descendente de família cristã, nunca foi algo simples de ignorar. Quando as comemorações aconteciam na casa dos avós, com primos e tios, ficava mais fácil. Mas sempre havia a ligação, no meio da madrugada, para aquele que ficou em outro canto. Nunca tinha os dois juntos.

Então vieram as famílias novas e agregadas. Esposa e namorado. Novas casas e outros bairros. As crenças eram as mesmas tudo muito tradicional. Mas nem sempre a distribuição da mesa agradava. Meu Natal tornava-se um roteiro a ser seguido. Tudo bem, contanto que eu estivesse sorrindo. Era só o que eles faziam questão. Da presença dos filhos- eu e meu irmão- e de nossos sorrisos. Eu enxergava mais além. Eu dava o que eles queriam sabendo que cumpria uma missão.

“Sorria. Seja educada. Diga as palavras mágicas! Não grite e mastigue de boca fechada!”

“Sim, pode deixar!”

Com tão pouca idade eu já era bem dirigida. Não poderia ter me tornado outra coisa na vida que não atriz e escritora. Merecia um Oscar por cada interpretação. E posso dizer que sim, eu era adorável!

Não havia sofrimento ou tristeza. Haviam observações. E era muito divertido perceber como eles-pais- precisavam tanto de nós- filhos- naquele momento. Como era importante nos deixarem felizes principalmente no Natal.

Por tudo isso passei a enxergar essa data como “apenas mais um dia” mas, carregava a obrigação em vê-los bem. E como nada está sob nosso controle, a cada pequena frustração, vinha a gastrite. Eu cresci. A escolha passou a estar cada vez mais em minhas mãos. A “simples” data voltava a pesar. Agradava a todos e esquecia de me agradar.

“Pequena menina. Natal é apenas uma data normal. Para muitos, não significa nada. Depois que você dormir, acordará e tudo estará igual. É apenas um dia. Não sofra!”

Há 10 anos, quando morava na Austrália, passei meu primeiro Natal sozinha. E, pela primeira vez, eu não precisei escolher nem um e nem outro; Pela primeira vez eu não precisei me preocupar com roteiros, sorrisos e vestido novo. Eu não tinha escolha, só havia um lugar para estar e era ali. Não havia outra pessoa para compartilhar além de mim mesma. Eu lembrei do conselho e do mantra de vida: É apenas uma data! Seja com chester ou batata frita, não faz diferença. A espiritualidade está dentro de cada um, essa é a sua Fé!

Que alívio! Que sensação! Acho que eu não tinha idéia do quanto era pesado todo esse evento “Natal em família.”

Não sofri. Sobrevivi. Sorri.

Dez anos depois e, alguns Natais pelo caminho, encontro-me novamente longe da família. Dessa vez na gelada Londres e, a mesma questão.

“Amêndoa não se preocupe, é só mais um dia normal. Essa é uma facção religiosa, não dê importância aos outros, foque em você. Fique bem.”

Um dia normal. Eu sei. De fato, um dia normal, como é para os muçulmanos, indianos, judeus, ateus…E para mim!

Não é tão fácil quando se foi educada dentro dessa facção religiosa, ainda que com todo o histórico de Natal que carrego. Em uma cidade cristã, onde as pessoas adoram o Natal, estar sozinha parece pecado. Mas decidi que esse ano seria all about me. Olhar pra mim. Me escutar. Comer o que eu quiser. A hora que eu quiser. Com a música que eu quiser e, claro, rezar.

Sem me preocupar com o almoço do dia 25 que sempre vira jantar. Sem estressar com as horas falhas da minha família “torta”- mas não com menos amor. Sem precisar escolher…Porque a escolha já está feita. E como não posso estar com quem eu gostaria e deveria então, truco! Dia normal. Dia de Paz.

“Filha e como será seu Natal? Você passará com alguém ou ficará sozinha?!”

Não se preocupem. Eu tenho um Chocotone Italiano na mesa e Londres inteira está aqui. Só fica sozinho quem quer.

Mas estou chateada porque esse ano não nevou.

Feliz mais um dia normal…

Feliz Natal…E muito Amor!

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Vivendo e Reescrevendo

À medida que os dias passam eu percebo que venho escrevendo roteiros em minha cabeça como forma de fazer a vida acontecer. Como se eu tivesse o controle do que virá. Acredito que seja uma maneira de confortar-me, brincar de saber o futuro; ou uma maneira de jogar no vento e fazer o Universo escutar o que eu desejo. Ou talvez seja apenas uma mente maluca de uma escritora solta em Londres em uma aventura.

Eu acredito neles com uma tal pureza que, quando eles não acontecem conforme manda a sequência, eu sinto que perco a base.

Como quando as pessoas não o seguem corretamente, por exemplo. Uma entrada errada ou um diálogo mal interpretado. Não deveria ser assim, você tem que seguir o que está escrito. Mas não. Fácil demais? Não! Quando parece que tudo está andando conforme o planejado, vem uma notícia qualquer e Bam! Obriga-me a mudar tudo o que estava pronto. Sair do conforto. Lidar com o inesperado que, de repente, torna-se realidade.

Reescrever tudo á partir daquele ponto.

Amargas surpresas.

Mas já dizia Virgínia Woolf: “Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”

Sim, Madame!

Então, é em meio ao prazer de escrever e reescrever que as novas cenas acontecem.

Ontem recebi um convite muito legal. Um amigo aqui de Londres, com quem começarei a trabalhar, convidou-me para a leitura de uma peça, de outro colega. Até então eu pensei que eu apenas assistiria e conheceria pessoas mas…

“Hey Amanda! Aqui está seu script, você fará a personagem número 7!”

“Everybody, this is Amanda!”

“What!?”

Como assim!

Eu mal cheguei e já sou arremessada contra essa fogueira de arte!

Já faz um tempo desde minha última leitura teatral…Em inglês então…Eba!!!

Um drama cheio de conflitos atuais e humanos. Que atire a primeira pedra quem nunca traiu ou sofreu com a perda de alguém. Perda para outro alguém. Perda para nós mesmos. Humanos. Apaixonados. Doentes. Errados. Conflitantes.

Lemos três vezes e, na última, eu já havia entendido perfeitamente meu papel ali. Porque somos todos iguais nesse mundo de emoção sentimental cheio de vícios e quereres.

Eu desviei meu próprio roteiro. Aquele encontro não estava escrito. E que delícia ter sido surpreendida. Que delícia ter enxergado cada conflito daquele drama, ter tirado a atriz do lugar. Os escritores costumam fazer isso.

Sem medo. Sem insegurança. Uma leveza que as Segundas-Feiras não costumam proporcionar. E uma sensação calorosa que nem o frio de Londres conseguiu estragar.

Acostumada do Prazer à Dor

Sozinha na multidão. É como sinto-me muitas vezes. Londres é magnífica em todas as suas qualidades e defeitos. Mas é dos lugares mais solitários que já morei. E não por você não ter companhia, mas porque a atmosfera traz isso. O inverno piora esse feeling, claro. Não é nada que te mate fisicamente, mas mata mentalmente. E se a sua cabeça não estiver no lugar, facilmente, você entra em sua concha e esquece de viver.

Não quero esquecer de viver, principalmente nesse lugar. Se eu sempre soube driblar a loucura de SP, como não saberei driblar a individualidade Londrina. Nada disso é um bicho de sete cabeças mas, dependendo a quantas anda sua mente, isso torna-se um grande obstáculo. Lidar com você mesmo. Ainda que rodeada de pessoas, festas, risadas…Ir para a cama sozinha e dar boa noite aos Espíritos pode fazer você adoecer.

O apartamento já não está mais silencioso. A turma do Brasil chegou. Da cama de casal ao colchão no corredor, é onde eu moro agora. Well, por alguns dias, até ocupar um novo apartamento. Salva por amigos!

A sala que testemunhou minhas risadas e conversas, por tantas madrugadas, agora tem malas, colchões e cobertas. Há novas vozes e gostos. Pensamentos e opiniões. E o que eu chamo de lar, eles chamam de mundo novo.

Há 4 meses fora do Brasil, praticamente sozinha, parece que eu tinha esquecido o que era essa “bagunça” boa. A ânsia por coisas novas, por conhecimento e tudo mais! E a diferença entre já ser uma viajante e um aprendiz. Entre vir e fazer tudo sozinha e, estar em família. Eles estão em família. Eu estou agregada mas, ainda sou eu apenas. Sozinha.

Ontem, antes de sair, comecei a preparar meu café da manhã, como todos os dias. Comi na cozinha mesmo, já que sentar no chão da sala não era mais possível. rs Alguns já estavam prontos mas, não estavam comendo e nem movimentando-se para isso. Então perguntei:

“Vocês não comem de manhã?” A resposta: “Comemos! Mas é que a gente espera pra comer todo mundo junto. Família mesmo!” Minha expresão mudou. Aí veio o complemento:

“É que você acostumou a comer sozinha nessa sua vida na Europa…”

Oh My God! I did!

Eu acostumei a comer sozinha não, eu acostumei a estar sozinha!!!

Eu não aprendi a estar/ser sozinha, eu acostumei, porque dentro da escolha que eu fiz, era o que tinha para o momento. E de repente, o que já estava organizado no lugar “acostumada”, entrou como uma porrada no estômago! Minutos depois, estavam todos na mesa, comendo juntos. Eu saí para meu compromisso pensando e falando alto, comigo mesma, sobre isso.

Não negarei que escorreram-me lágrimas pois, é isso o que acontece quando vivemos nossa própria vida. Entramos em nosso trilho e não percebemos como nos adaptamos a certas coisas. O que é até uma bobagem, pois no Brasil eu também tomava café sozinha, já que em casa temos todos horários diferentes. Mas quando eu enxerguei a situação como ela é, veio toda minha trajetória desses 4 meses que, mais parecem 5 anos.

Aquariana adaptável. Aventureira como o ascendente em Sagitário. Filha de Santos Guerreiros mas, que caiu do cavalo ao escutar uma frase tão simples e tão significativa.

“Cuida da cabeça. Não importa o que aconteça, esteja bem dentro de você. Pois senão, facilmente, a cidade te engole.” Disse uma amiga.

Sim, eu sei. Mas o mais difícil já aconteceu: acostumei a estar sozinha. Será que eu acostumo a estar em coletivo novamente? Será que essas emoções voltarão a fazer diferença? Em tão pouco tempo eu já estou adorando minha individualidade e achando normal…?

Não pode ser…

Na mesma tarde meu pai envia uma msg perguntando se estou bem. Perguntei: “Defina “estar bem”.

Ele respondeu: “Estar bem é estar vivo, andando, pensando, podendo criar e realizar dentro das nossas oportunidades…”

Bom, pensei, então estou parte bem, pois estou viva e andando. E vou falar que isso já é bastante dentro das minhas condições atuais. Algumas emoções já não fazem mais tanta diferença ou não são tão importantes agora. Triste? Fria? Realista? O que estou me tornando?

Ou: o que estou acostumando-me a ser. Seja o que for, que minha essência não morra jamais. E, se houver aqui dentro algum Amor, que ele salve-me diariamente de qualquer possível depressão.

Há um amigo que diz que não são as doenças que nos matam, mas sim as nossas emoções.

Mas o que não mata fortalece…

Incomodada com esse sentimento Natalino. Incomodada com meu crescimento. Incomodada com o que essa cidade cinza me causa. E acostumada a tudo isso.

Eu amo você Londres. E eu espero que me ame de volta.

Um Abraço para Esquentar

Setembro de 2014.

No trânsito intenso de SP, uma mulher falando ao celular e dirigindo, bate na traseira do meu carro. Meu humor, que já não estava dos melhores, atinge ápice.

“Ainda por cima isso!”

Mas eu não quis saber. Meu carro tinha engate, a frente do dela estragou muito mais e eu só queria sair dali. Eu só queria poder estacionar e, com calma, fazer o telefonema mais esperado daquele dia. Dizer até logo ao amigo que iria dar a volta ao mundo em um barco.

Ele, naquela alegria intensa. Eu, no orgulho de vê-lo realizar um sonho, mas na chateação de não poder estar mais perto para o abraço forte. Dizer através de uma ligação tudo o que eu queria, foi impossível.

“Te Amo, se cuida, vamos nos falando e…Boa viagem! Boa aventura!”

Foi o máximo que as lágrimas permitiram.

“Nos vemos em 2 anos ou um pouco mais…”

Ai que saudades!

Já é complicado morar na mesma cidade dos nossos amigos e, só conseguir vê-los de vez em nunca, devido ao corre da vida. Mas saber que eles estão ali, no mesmo bairro até, conforta, porque qualquer coisa, é só tocar a campainha. Mas você, em uma Expedição Maravilhosa, no meio do mar, no meio do mundo…O que eu farei quando precisar gritar e reclamar de amor?

“Ah amore, me escreve, a gente marca um skype, mas fica bem. Em algum momento, nessas fronteiras, iremos nos trombar e eu volto. Vai atrás também dos seus sonhos, não fica aí parada.”

Mas e quando eu precisar te abraçar…

Esses amigos que a vida me arruma…Esses amigos que escolho pra minha vida…E essas aventuras que eu apoio, porque também não sou muito diferente…

“Vai! Vai desbravar que nós estaremos sempre perto!”

O primeiro ano passou como um foguete. Você reclamou que eu escrevi pouco, é verdade. E eu reclamei que você não respondeu o pouco que escrevi. hehe

Porque nossos áudios via celular conseguiram aliviar isso. Prefiro só te encontrar quando você voltar, já despedi uma vez, não colocarei o coração nessa situação de novo. Nem me conta o próximo porto que estará. Nessas minhas andanças pelo mundo, vai que né…

Pois é…Vai que né…E foi!

“Amore, estarei de férias da Expedição e passarei por Londres!”

Gritos!

“Nós vamos ter que nos encontrar!”

Eu já falei antes que abraço virou artigo de luxo logo, não desperdiço a oportunidade de um com alguém que realmente abraça de verdade. Com alguém que te conhece só de olhar. Te abraçar, ontem, matou todas as saudades, todos os monstros, toda a solidão.

“Dio Santo! Que saudades de você!”

Sim. Saudades de ver. De tocar. De escutar de perto todas as suas novidades, histórias e conselhos. Saudades dos seus puxões de orelha e do seu apoio.

“Heitor, olha nós aqui, nessa Londres! Quando isso! É surreal!”

E um frio congelante. Das mãos não poderem sair de dentro dos bolsos mas, e daí? A cidade está linda, toda iluminada e enfeitada para o Natal! As pessoas estão nas ruas, os lugares estão abertos, há música, comida e boa cia.

E toda sua experiência nesse primeiro ano de Mar á fora. Sua visão de mundo ainda mais completa e interessante. Seus valores mais bonitos. Você mais bonito. Mais apaixonado. Mais leve. E eu gosto disso. Gosto de escutar como as coisas podem ser mais simples quando queremos, fazemos e acreditamos. E conversar com você gera esses assuntos. Gera essa simplicidade essencial, sem peso.

“Você não está fazendo nada, você está vivendo e o que mais você pode querer da vida!”

O universo já está sendo movimentado. Começa. Faça. Não espere. A hora é sempre agora.

Eu adoro isso em você.

Uma tarde foi muito pouco, mas o suficiente para eu saber que ainda tenho você perto de mim. Que nossa amizade chegou naquele ponto em que, não importa o tempo ou distância, nada mais será mudado. Claro que eu queria ter tido dias mais ao seu lado. Mas eu tive seu abraço em um momento muito importante.

A cidade cheira a chocolate quente com marshmallow. Esse é o sabor do inverno. Esse será sabor que darei ao amor que sinto pelos meus amigos e toda essa saudades que me faz bem e que, ontem, me aqueceu um pouco.

Boa Viagem, amore. Mais um ano virá em alto mar. Novas terras, novos aprendizados. Novas horas, novas culturas. Novas fronteiras e, quem sabe, nos vemos por aí de novo antes dessa volta acabar.

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